sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Nova Ordem e a Política

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A luta política sempre é travada sob condições objetivas determinadas o que implica na observação e análise da realidade concreta, para que nela se possa intervir com um considerável nível de clareza e eficácia.

Essa é uma constatação básica à ação das forças que atuam no cenário da política, assim como nas ciências em geral, que exige, portanto, o acompanhamento dos fenômenos em curso nas sociedades, caso contrário corre-se o risco da repetição em círculos sem a devida compreensão dos rumos, da perspectiva do futuro, do progresso em geral.

Porém nós vivemos “uma mudança de época, mas não uma época de mudanças” civilizatória, salvo a óbvia transformação científica, tecnológica.

Na verdade há dois fatores hegemônicos que os povos lutam para superar num período de incertezas abrangentes, além da incertezas existenciais, comuns aos seres humanos.

É a presença de duas espécies de barbáries interligadas: a da crueldade histórica, da violência, da tortura em geral, da fome, desemprego, das guerras regionais que se multiplicam, e a barbárie das finanças globais que paira sobre as sociedades através da chamada governança mundial ditada pelo capital financeiro, o poder geopolítico dos EUA, em que bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia.

Assim é pela necessidade de combater essa realidade concreta que as nações lutam em busca de um outro desenho global mais democrático menos injusto, social e politicamente.

O capital rentista determina os caminhos das sociedades, dos indivíduos, e vem se alimentando de forma canibalesca com o fomento dos conflitos regionais, a captura das riquezas materiais, financeiras, a soberania dos Países.

Por isso é que sob a égide dessa mudança de época mas não de uma época de mudanças, mesmo conectados pela internet, aplicativos digitais, os indivíduos acham-se tão desorientados como descrentes do progresso humano, das causas transformadoras que norteiam a humanidade, o espírito de um mundo melhor.

Daí surge o ceticismo com a política. Mas a luta determinada dos Estados nacionais como os BRICS, a organização consciente das grandes maiorias, são o único caminho para a superação do status quo. Portanto urge aos segmentos progressistas, patrióticos, a peleja pela reabilitação Histórica dos elevados valores da Política.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A economia da inclemência

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A visão pragmática avassaladora da Nova Ordem Mundial que impõe um asfixiante dia a dia alienante, brutalmente competitivo, onde impera a lei do salve-se quem puder, onde o conhecimento transformou-se em instrumento de feroz concorrência dos indivíduos entre eles mesmos, não só parece com a “lei natural das coisas” como suprime, em boa parte, a consciência social dos indivíduos.

A grande mídia hegemônica busca capturar o discurso, a agenda do consenso imposto, e de tal forma é onipresente que dita o conteúdo político, ideológico, econômico, determina padrões, como a tese e a antítese das discussões que viajam em torno do planeta na velocidade das fibras óticas e redes televisivas que com exceções repetem monotonamente o mesmo padrão de ideias seja na cosmopolita Londres como no simples município alagoano de Girau do Ponciano.

É a vida instantânea, o consumo do obsoleto meteórico onde causas e produtos podem ser esquentados, quase sempre, como numa espécie de forno micro-ondas multiuso ou como diz o sociólogo Zygmunt Bauman, a (pós) modernidade líquida.

Mas existe o mundo que nos é imposto e o real por mais que a governança global, as instituições internacionais capturadas reposicionadas sob seus interesses e do capital financeiro internacional, procurem nos fazer enxergar o contrário.

Falam do tempo das oportunidades, que o acesso às informações estão ao alcance de todos, no computador, nas interações “democráticas” via redes sociais etc.

Mas a cultura e as artes de valor universal são relegadas às calendas, acessíveis apenas a um seleto grupo de iniciados ou de imenso poder aquisitivo.

Eric Hobsbawm, o historiador, alertou-nos ao final do século XX que as novas gerações estavam sendo forjadas numa espécie de presente contínuo, sem referência com o passado e perspectiva em relação ao futuro.

A lavagem cerebral midiática global esconde-nos que jamais houve tantas guerras regionais no planeta, movidas pelos mesmos interesses financeiros, a mesma grande potência, em qualquer outra época da humanidade, ou que cerca de 500 mil jovens mulheres, inclusive brasileiras, são mantidas em regime de escravidão na Europa ocidental forçadas a venderem seus corpos.

É a sociedade da inclemência que os povos necessitam transformar pela via das utopias realizáveis.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Encruzilhada

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Chama atenção a entrevista do ministro Marco Aurélio Mello do STF sobre a situação nacional (é notório que o referido Ministro não tem simpatias pelo Governo) quando afirma ao sítio Consultor Jurídico “Com 25 anos de Supremo eu nunca tinha visto nada parecido. No Brasil, exceção virou regra: prende-se para depois apurar”.

A frase proferida por um membro da mais alta Corte jurídica do País é sinal de que foi ultrapassada a fronteira do Estado de Direito Democrático.

A verdade é que vem sendo forjada no País uma base social que respalde um eventual Estado de exceção, denunciado pelo Ministro Marco Aurélio, através da grande mídia que é porta-voz e associada a essa empreitada autoritária.

Com o golpe, a grande mídia deseja obter altos dividendos a exemplo de 1954 e 1964. Mas ela não é a arquiteta mor da ação política.

As orientações e o respaldo a esse movimento autoritário têm como protagonista central as forças do Mercado, além dos interesses geopolíticos contrários ao protagonismo do Brasil na arena global, em íntima ligação com setores políticos internos retrógrados de matiz neoliberal ortodoxa, num quadro de agravamento do cenário econômico internacional.

Na verdade o que estamos assistindo é a tentativa de captura do Estado brasileiro ao rearranjo estratégico do capital financeiro global em virtude da profunda crise estrutural capitalista, que passou a exigir bem mais espaços do que as concessões macroeconômicas em vigor insuficientes à ânsia de lucros predatórios estratosféricos.

Por isso promove-se a criminalização ampla, geral, irrestrita do exercício da luta política no Brasil bem como das empresas fundamentais ao patrimônio do Estado nacional.

De outro lado, a campanha adversa às grandes causas progressistas da humanidade já vem sendo fomentada a galope desde a consolidação da Nova Ordem Mundial há 25 anos.

A febril articulação obscurantista contra o governo da presidente Dilma reflete o cenário descrito porque na realidade trata-se de apear do poder político uma governante eleita pelo voto popular que adota políticas econômicas, sociais que não se coadunam com as exigências do Mercado.

O objetivo das forças reacionárias vincula-se ao êxito da ofensiva do capital financeiro. Cabe ao povo brasileiro a defesa da democracia e da nação sob graves ameaças.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Estado, democracia e sociedade

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O que está ocorrendo no País, sob o pretexto de combate à corrupção, é a articulação de movimentos contra três objetivos combinados, definidos: o Estado nacional, a democracia e as maiorias sociais.

Em virtude da crise estrutural capitalista da Nova Ordem Mundial, a emergência dos BRICS, novos atores na geopolítica global, as políticas neoliberais estão sendo reestruturadas com vistas a uma nova ofensiva em escala planetária.

Assim como o reforço dos meios, instrumentos militares, ideológicos, midiáticos, do capital especulativo que permitam a hegemonia sob condições mais invasivas.

Nenhuma nação especialmente aquelas que compõem os BRICS, que são alvos centrais, terá condições de persistir no caminho da soberania, da independência, nessas novas condições impostas pela Nova Ordem Mundial sem recompor suas linhas estratégicas de defesa.

A odiosa “guerra” externa, interna, de desmoralização da Petrobrás com as denúncias de corrupção na empresa, e que devem ser apuradas com transparência, tem como meta a destruição de um símbolo de identidade, referência nacional, a abertura total para exploração, usufruto das reservas petrolíferas brasileiras às gigantes companhias estrangeiras que já se movimentam para tal fim.

Há igualmente uma campanha contra o Estado nacional. O que divulgam é o conceito que essa é a entidade a ser repelida, adversária das liberdades individuais, coletivas, obstáculo ao crescimento econômico.

Mas sem o Estado não há o desenvolvimento porque a lógica do capital não é a dos interesses nacionais ou dos cidadãos e sim do lucro irrefreável.

Só o Estado pode garantir a integridade territorial, desenvolvimento, democracia, as políticas sociais.

Sob o mote do combate à corrupção faz-se a criminalização da política, única via da participação coletiva dos cidadãos. Dessa forma caberia à grande mídia associada ao capital rentista o comando dos destinos do País.

Assim a atual campanha contra a presidente Dilma visa o golpe institucional já que o governo é empecilho aos rearranjos da Nova Ordem Mundial.

Com a reestruturação mais agressiva do capital financeiro o Brasil e os BRICS necessitam promover o fortalecimento do Estado nacional, a democracia fecunda, a ampla mobilização social na luta por outra Ordem Global mais justa, avançada.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma questão de soberania

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Ao contrário do que diz a mídia hegemônica global a crise estrutural do capitalismo continua provocando colossal tsunami econômico, social e humanitário com graves reflexos em todas as nações do planeta.

Mesmo os BRICS que vinham injetando oxigênio à esquálida realidade financeira internacional mostram sinais evidentes de refluxo econômico, inclusive a China com o “moderado crescimento” de 7,5% ao ano.

A crise da Nova Ordem Mundial, cuja hegemonia consolidou-se há 25 anos e impôs aos povos o draconiano receituário neoliberal econômico, militar, ideológico, social sob a proteção dos Estados Unidos como guarda pretoriana, está no seu auge muito embora seja certo afirmar que ainda não chegou ao fundo do poço porque as coisas continuam a se agravar de maneira galopante.

A lógica do capital não é a racional, é a lógica compulsiva do lucro especialmente do capital rentista que passou a determinar os rumos das finanças impondo ampla desregulamentação em escala planetária.

Quem vem regendo a orquestra ao longo desse tempo nefasto de crise civilizacional são as políticas neoliberais mesmo com a resistência dos BRICS, constituindo uma espécie de contrafluxo à Nova Ordem internacional, uma alternativa multilateral a outra realidade geopolítica, econômica, social.

O resultado das eleições gregas com a vitória de uma frente progressista contrária ao brutal arrocho imposto ao povo heleno pelo capital financeiro é fato Histórico que terá sem dúvida desdobramentos políticos na comunidade europeia.

Já a ofensiva do capital financeiro contra os BRICS tem sido agressiva, utilizando-se inclusive da grande mídia, com o objetivo de fazer avançar a linha do rentismo, impor a política de rapina às suas riquezas.

No Brasil o que se urde, escamoteado por uma virulenta campanha de desinformação midiática, é a capitulação da nação à ortodoxia neoliberal, uma crise institucional no País.

Ciente que a política é a ação efetiva tendo em conta a análise concreta da realidade concreta, cabe ao governo Dilma e aliados assegurar a governabilidade vital, isolar a ofensiva do capital rentista, manter o leme no rumo do desenvolvimento, as conquistas sociais, trabalhistas, a emergência à cidadania de dezenas de milhões de brasileiros, a defesa da soberania nacional sob graves ameaças.