quinta-feira, 28 de abril de 2016

O imbróglio do golpe

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A votação na Câmara do impedimento do mandato da presidente Dilma revelou ao Brasil cenas grotescas da maioria dos parlamentares usando o microfone com um “sim” pela mulher, marido, família, o cachorrinho, etc.

Ficou óbvio, inclusive à mídia internacional, que não se julgava o parecer do relator do processo, um calhamaço de 500 páginas “escrito” em 24 horas, muito menos a defesa da presidente pela Advocacia Geral da União.

Na verdade não se discutiu o mérito do impedimento da principal mandatária do País eleita através do voto popular, o mais grave dos preceitos inscritos na Constituição da República.

Sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com vários processos de cassação, além de centenas de parlamentares em idêntica situação, a opinião pública assistiu a um espetáculo dantesco.

Porque admitia-se, como narrou a mídia, em meio a palavrório de ópera bufa, a anulação de mais de 54 milhões de votos, via a “garantia” de Eduardo Cunha de que eles estariam a salvo da perda de mandatos e outros crimes que correm na justiça. Tudo isso contra uma presidente sobre a qual não pesa algum crime de responsabilidade.

Daí a indignação de milhões de brasileiros, o constrangimento de outros tantos que na oposição perceberam o esbulho que os moviam às ruas, à exceção dos assolados pelo ódio difuso, ou aqueles de ideologia fascista como o deputado Bolsonaro.

O vice Temer arquiteta um governo, ao lado de Cunha, em condição surreal. Não tem apoio de nenhum dos lados em que se dividiu a nação, cuja autoria material foi da banca rentista da Avenida Paulista com a mídia golpista que desde 1954 esmera-se na abjeta arte da conspiração contra a democracia, os interesses nacionais.

Tal modelo de “primavera colorida” bufa tem seguramente as digitais dos EUA. Logo saberemos de forma documentada de sua participação.

O processo segue no Senado com todas as instituições da República em crise profunda, a ameaça de um governo fantoche sem credibilidade e base social, com a rejeição de juristas, intelectuais, jornalistas, religiosos, organizações da sociedade civil etc.

A sanha golpista gesta um imbróglio institucional, econômico dramático, faz com que vários procurem alguma saída de emergência. Cabe aos democratas a luta pela legalidade, a defesa da nação raras vezes tão ameaçada.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A coalizão do golpe

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A votação do impeachment da presidente Dilma na Câmara dos Deputados foi o prólogo do golpe. Cabe aos democratas, às organizações sociais, intelectuais, sociedade civil, religiosos, juristas, etc., a luta pela legalidade, a democracia, a defesa do legítimo mandato da presidente da República.

No capítulo tenebroso da Câmara (a novela da desestabilização institucional vem de vários anos, bem antes das manifestações de 2013) o que assistimos no domingo são mais evidências para se entender a crise no Brasil.

Articulistas, economistas, cientistas políticos falaram, como tantos já o fizeram, através da mídia, especialmente alternativa, que há um centro de poder ditando os rumos do País.

Dizem “trata-se da elite plutocrática, bem menos que 1% da população. A coalizão do rentismo. Uma coalizão que opera com larga eficiência, desde a Avenida Paulista”.

A grande mídia, orientada pela plutocracia, age conforme o combinado junto à Avenida Paulista que por sua vez lidera setores retrógrados, ou recalcitrantes, na indústria, etc. Enquanto essa grande mídia golpista procura fazer a cabeça da sociedade, em especial extratos da classe média.

Os objetivos dessas castas são a privatização da riquezas do Pré-Sal para grupos multinacionais estrangeiros, dos serviços públicos como saúde e previdência social, desmonte das históricas conquistas trabalhistas, internacionalização das riquezas estratégicas do Brasil etc., etc. É o republicanismo de compadres, para eles mesmos.

Eduardo Cunha com seus 179 lanceiros processados, junto à maioria dos deputados, com o vice Michel Temer que se arvora presidente indireto e nunca passou de 1% das intenções de votos no País, são peças para a missão de coalizão articulada pela plutocracia predadora com a mídia golpista.

Mas não esperavam que as organizações sociais, amplos segmentos da sociedade civil, artistas, democratas, jornalistas, juristas se erguessem pela democracia e a nação.

Já um hipotético governo Temer, Cunha, se imposto ao povo, iria restar em pouco tempo rejeitado pelo País, gestando uma encruzilhada institucional.

A nação já passou por desafios mais dramáticos e superou-os. Aos democratas e às novas gerações continuem lutadores, atentos e fortes. O Brasil é maior que plutocratas e figuras de ocasião logo desprezadas pela História.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Os reais motivos do golpe

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A crise política atingiu nível de vertiginosa escalada. Mas ela não reflete em absoluto acertos ou erros do governo da presidente Dilma. É trama golpista de múltiplos interesses que convergem para empalmar o poder.

O que incita o furor golpista é a internacionalização radical da economia brasileira. De tal forma que as trágicas políticas privatistas neoliberais de Fernando Henrique Cardoso em seus dois mandatos pareçam de um liberalismo monetarista tímido.

A crise capitalista mundial, as novas formas de movimentação, financeirizacão do capital, especialmente o rentista, intimam o desmonte absoluto dos Estados soberanos.

Impõem a ditadura do rentismo e do Mercado, a desapropriação da cadeia produtiva brasileira, de suas riquezas naturais estratégicas.

O golpe em curso tem o objetivo de anular as conquistas trabalhistas históricas, redirecionar quaisquer recursos em investimentos sociais para os ganhos do capital especulativo.

Historicamente seria como uma grande cambalhota ao retrocesso. Desde o movimento tenentista de 1922, passando pela revolução de 1930, as Indústrias de Base erigidas por Vargas até os avanços científicos, tecnológicos contemporâneos, sejam eles estatais, privados ou mistos.

A batalha contra o golpe, como diria o Conselheiro Acácio, será ou uma grande vitória da democracia, do povo, da nação, ou uma grave derrota.

Na verdade a tentativa de golpe já vem de alguns anos e não vai se encerrar com a vitória dos democratas ou a prevalência dos intentos golpistas no Congresso. Irá se desdobar em novas etapas.

De um lado encontra-se, atualmente, sob a batuta de Michel Temer, Eduardo Cunha (porque a estratégia de desmonte do Estado nacional permanece mas seus agentes são descartáveis), os grupos subalternos aos barões das finanças, a grande mídia golpista, corporações identificadas com esse projeto antinacional, antidemocrático.

Em defesa da legalidade, das conquistas sociais, da nação, estão os democratas, organizações sociais, artistas, intelectuais, juristas, religiosos etc., contra o golpe e o fascismo tupiniquim.

Aos democratas, legalistas, assoma a luta pelo legítimo mandato da presidente Dilma, a repactuação pela governabilidade, um projeto nacional estratégico de desenvolvimento, a soberania do País, a democracia arduamente conquistada.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

São os mesmos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Desde a reeleição em 2014 que o governo da presidente Dilma enfrenta um processo de desestabilização diuturno sob a direção de forças conservadoras internas, além das fartas denúncias de ações externas, que não desejam que o País alcance patamares mais elevados.

Sobre iniciativas sabotadoras vale lembrar a espionagem do telefone da presidente da República por parte dos Estados Unidos, reconhecida por Barack Obama, além das reveladoras documentações contra o Brasil, postas à luz do dia por Julian Assange, depois detalhadas pelo ex-agente da NSA Edward Snowden, relativas aos motivos e instrumentos de subversão usados contra os BRICS conduzidos pelos Estados Unidos.

As agressões contra as nações que compõem os BRICS estão se desenrolando de maneira escancarada especialmente quando se trata da ofensiva sobre a China, Rússia e o Brasil. Dos três Países o que se encontra em situação mais fragilizada é exatamente o Brasil.

Mesmo como a 7a maior economia do planeta, falta-lhe um projeto estratégico de nação, recursos mais eficazes para a defesa do Estado soberano, enquanto oligarquias nativas entrincheiram-se na sustentação de estruturas e valores anacrônicos.

Celso Furtado ao final da vida disse que a nação tinha alcançado patamares de desenvolvimento ponderáveis, por isso a 7a economia mundial, mas que esse salto econômico estava mesclado a um forte componente subalterno, de interesses, mentalidade colonizada, especialmente em relação ao capital financeiro global.

Junto aos fatores de entrave ao salto para o desenvolvimento associa-se a grande mídia oligopolista. Estão aí algumas causas centrais que impedem a superação dos nossos males crônicos.

De, pelo menos, 1954 aos dias atuais esses grupos não medem esforços para ancorar o Brasil na dependência econômica, cultural, científica, tecnológica, geopolítica etc.

Nem que, em meio a uma crise capitalista global, tentem paralisar a economia, abanem o fascismo tupiniquim, alimentem ódios, promovam figuras sombrias, medíocres.

É a velha fórmula golpista revestida de feição pós-modernosa, não importa o jeito, a engenharia para o golpe. Já disse o jornalista Fernando Moraes: nós sabemos quem eles são, eles são os mesmos. Daí porque ergue-se uma ampla frente pela democracia, o desenvolvimento econômico e a soberania do Brasil.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Como uma farsa

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O quadro institucional que já estava mudando de cenário em questão de dias, agora transmuta-se na base de horas. Na semana passada setores da sociedade civil incluindo juristas, artistas, intelectuais, jornalistas, religiosos, movimentos sociais, ergueram-se contra a possibilidade da instauração no País de um Estado de exceção policialesco apoiado pela grande mídia hegemônica.

Diante desse perigo real levantam-se personalidades brasileiras, independente da simpatia ou não pelo governo da presidente da República, considerando que a ferocidade dos fatos e ações perpetradas contra as garantias individuais e coletivas dos cidadãos deixavam-nas sob iminente perigo numa situação assemelhada ao golpe de 1964, apesar das evidentes diferenças.

Agora sob o comando do presidente da Câmara Eduardo Cunha e o apoio do vice-presidente da República Michel Temer boa parte do PMDB resolve desembarcar do governo numa óbvia ação para enfraquecer a base do governo federal, facilitar o processo de deposição da presidente Dilma Rousseff.

Mas o fato importante nesse imbróglio do PMDB é que suas principais lideranças nacionais não estavam presentes no ato de terça-feira além da ausência de representantes dos seus governadores no Nordeste do País.

Assim permanece incontestável a frase do presidente do Senado Renan Calheiros de que: impedimento sem crime de responsabilidade tem outro nome. E o nome para tais manobras chama-se golpe.

Portanto a luta continua nas ruas mas o centro da batalha agora é o Congresso Nacional embora não se possa descartar novas investidas policiais para desestabilizar ainda mais a crise política.

As ações para depor a presidente da República passam a ser lideradas por uma figura marcada por processos de cassação de mandato e por um vice-presidente sem protagonismo nacional que nas pesquisas jamais passou de 1% das intenções de voto no País. Mas aos conspiradores há, de sobra, vontade irrefreável de empalmar o poder a todo custo.

Na verdade os episódios fazem jus à frase de Marx de que a História só se repete uma segunda vez como farsa. A luta em defesa da democracia vai exigir ampla, intensa mobilização de vários setores da sociedade civil, o convencimento de deputados, senadores pela legalidade constitucional, pela soberania nacional, contra o golpe em marcha.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Vertigem totalitária

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O cerco à residência do Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki seguido de demonstrações de virulência e agressões verbais é uma claro sinal da escalada sôfrega de uma onda fascista no País.

A demonstração de ódio incontido ao magistrado decorreu do seu parecer em fazer retornar ao Supremo, para análise, o processo relativo à suspensão da posse do ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil da presidência da República, além de solicitar ao juiz Sergio Moro explicações sobre vazamento de escutas telefônicas para setores da grande mídia hegemônica.

Sendo esse, ou qualquer outro motivo, dos atos contra um membro da suprema corte da nação, o que se avulta é a extrema coação moral, associada a ameaças físicas, típicas da antessala de um Estado policial, na tentativa de prevalecer sobre 200 milhões de brasileiros a vontade de grupos inspirados nos modos da violência, truculência, da ascensão fascista na Itália de Mussolini e na Alemanha nazista de Hitler.

Na verdade essas manifestações de grupos fanatizados que vêm se espalhando por vários lugares do País contra artistas, jornalistas, entidades da sociedade civil, partidos políticos etc., atinge o auge, pelo menos por enquanto, no cerco à casa de um membro da mais alta corte de justiça do Brasil com o propósito de acovardar, intimidar a sociedade nacional, as instituições da República e empalmar o poder. Disso não há a menor dúvida.

Portanto há que se dissociar o direito inalienável à divergência de opiniões e manifestações públicas, características da vida democrática, desses grupos fundamentalistas, cujo objetivo central é golpear mortalmente o regime democrático, conquista árdua, penosa do povo brasileiro.

É de conhecimento geral que por trás de várias organizações fascistas que atuam no Brasil estão grupos internos reacionários, e o apoio externo das forças do mercado financeiro ávidos em esquartejar a sétima economia do mundo, internacionalizar radicalmente a cadeia produtiva nacional, avançar como abutres sobre as riquezas naturais do País.

Assim é fundamental aos democratas, patriotas, tenaz luta em defesa da legalidade constitucional, assim como a defesa da soberania nacional, ambas ameaçadas, num mundo envolto por grave crise do capitalismo e numa vertigem de sectarismos totalitários.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A luta democrática

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Pesquisas da grande mídia sobre as manifestações desse domingo pela deposição da presidente da República, atestaram que os seus participantes continuam sendo representantes das elites e de segmentos da classe média, o que não constitui novidade, tanto como o protesto ser instrumento legítimo do regime democrático.

Mas o que surge como um fato novo em meio a essas manifestações, insufladas pela grande mídia, é a repulsa, o ódio bilioso e galopante à política em geral, além do ideário nazifascista com saudações à suástica hitlerista e tudo mais.

Combinado a ações truculentas, ataques físicos a pessoas, jornalistas, sindicatos, partidos políticos, organizações democráticas que se espalham pelo País contra tudo que não se coadune com o figurino difundido por essas lideranças do movimento com inspiração claramente autoritária.

Que não tinham protagonismo à exceção de personalidades grotescas que expunham suas intolerâncias contra minorias, como na Alemanha de Hitler ou na Itália fascista de Mussolini. Agora passam a defender à luz do dia a truculência de um regime totalitário.

Por outro lado assiste-se ao despertar da consciência cívica em defesa da democracia em múltiplos segmentos que, independentemente da simpatia pelo governo da presidente da República, erguem-se em prol do Estado de Direito, da democracia, da Constituição.

Tudo isso lembra-nos a frase contra o nazifascimso de Winston Churchill, o primeiro-ministro inglês durante a 2a guerra mundial: prefiro a democracia com os seus defeitos do que a melhor das ditaduras.

Assim o que urge no Brasil é a defesa daquilo que nos custou muito caro, as liberdades democráticas. Torna-se essencial um Não lúcido ao crescente ativismo sectário intolerante, assim como a rejeição a um Estado Policial que não representa as aspirações da grande maioria dos 200 milhões de brasileiros.

Figuras da oposição ao governo que compareceram às manifestações de domingo, vaiadas, escorraçadas, ameaçadas, provaram da intolerância obtusa. Estão com as barbas de molho.

É fundamental, na ação política concreta, constituir uma ampla frente em defesa da democracia, da soberania nacional, das conquistas fundamentais do povo brasileiro. Uma tarefa inadiável que galvanize as grandes maioria da nação contra o golpismo aberto, sem disfarces.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O Ministro e os fatos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A entrevista do Ministro Marco Aurélio do Supremo Tribunal Federal, domingo passado, foi um alerta em defesa do Estado de Direito democrático.

Disse o Ministro que não se avança em relação às garantias individuais dos cidadãos ao se aplicar o ato da condução coercitiva sem que tenha havido a recusa do investigado em comparecer para depor. “Não se pode conduzir pessoas à vara”.

Afirmou que a Constituição é clara quanto ao principio da não culpabilidade dos cidadãos, o conceito da presunção da inocência até que se prove o contrário.

Quanto às delações premiadas, “essas só têm sentido se for através da cooperação espontânea em relação a inquéritos em andamento, diferente do que está ocorrendo”. “Fica-se preso indefinidamente até que, sob intensa coação, obtenha-se a delação”.

Alertou para o risco de um regime de exceção com interpretações extravagantes, ao arrepio das normas jurídicas constitucionais.

Depois referiu-se à condução coercitiva exercida contra o ex-presidente Lula: “se aconteceu com alguém que foi duas vezes eleito presidente da República, imagine o cidadão comum”.

Há certa dualidade de poder, o efetivo homologado pelas instituições da República e o outro, imposto, que faz o ministro questionar a prevalência da legalidade jurídica.

Além das críticas de Marco Aurélio, há a ação da grande mídia, que não é mais mídia, mesmo elitista, parcial, mas organização política apologista do golpe.

Ao integrar-se aos BRICS, apoiar a criação do seu Banco Mundial de Desenvolvimento, descobrir as reservas do pré-sal, o Brasil passou a ameaçar seriamente os interesses da Nova Ordem Mundial.

O cientista político, historiador Moniz Bandeira denunciou a ação do Departamento de Estado dos EUA na escalada desestabilizadora e do clima de ódio galopante no País, enquanto mais de R$120 bilhões do orçamento da nação vão para os juros da dívida pública. Leia-se capital rentista.

A nação está sendo levada, meticulosamente, planejadamente, à conflagração geral, à deposição da presidente da República, à instauração de um regime e um modelo econômico que desarticule a cadeia produtiva nacional, promova o botim das riquezas naturais, a completa dependência à Nova Ordem, ao capital rentista. Cabe-nos a luta contra o golpe, em defesa da legalidade democrática e do Brasil soberano.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Anatomia do golpe

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O clima golpista no País possui três vertentes, a política, a financeira e a geopolítica, conduzidas por forças retrógradas no País.

As razões estão no mesmo DNA dos alinhados à economia liberal dependente usada contra presidentes que ousaram cumprir metas desenvolvimentistas, justiça social, políticas que garantissem os interesses nacionais. São casos emblemáticos Floriano Peixoto, Getúlio, Juscelino, Jango.

Daí é possível entender que para o ataque à democracia, por parte desses grupos subordinados aos interesses forâneos, não é condição sine qua non a existência de programas de esquerda para se articularem conspirações com vistas a desestabilizar o País, as instituições da República, propagar a anomia social.

Esses apologistas da dependência nacional, sempre mutantes, hoje com viés neo-fascista, raras vezes conquistaram o poder pelo voto. Mas têm apoio em certos segmentos médios.

Uma base social sensível aos apelos ditados por intelectuais “formadores da opinião pública” de linhagem colonizada, que advogam a subalternidade do País à ideia do mercado absoluto, contra o protagonismo do Brasil no cenário mundial. A matriz do modelo de mercado total seriam os Estados Unidos.

Mas os EUA jamais abdicaram de um Estado imenso, forte, poderoso que garanta seus interesses econômicos, militares, imperiais. É o Estado nação que mais emprega funcionários, possui estruturas diretas, indiretas sem comparação no mundo.

O golpismo, mais que a crise capitalista, tem levado o País à quase paralisia econômica e política, com o apoio da grande mídia, usando como em outras épocas o mesmo mote, o Estado de Exceção, a ruptura das normas constitucionais.

O Brasil, integrante dos BRICS, está incluído há tempos na onda das “primaveras coloridas” monitoradas pelo Departamento de Estado dos EUA, além das pressões do capital financeiro, que já consome via serviço da dívida pública quase a metade do Orçamento da União, com taxas estratosféricas de juros penalizando os serviços públicos, investimentos em infraestrutura, os Estados da federação.

Assim, urge ampla mobilização em defesa do legítimo mandato da presidente Dilma, a luta contra a brutal espoliação do Brasil pelo capital rentista, um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, a defesa da democracia e da nação soberana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Apocalípticos e integrados

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O mundo literário lamenta o falecimento do grande pensador italiano Umberto Eco (1932-2016) e ao mesmo tempo celebra a rica produção intelectual de homem lúcido no mundo ocidental e dos tempos contemporâneos.

Especializado em filosofia, semiologista, medievalista, autor de vários tratados, obras de ficção de repercussão, Umberto Eco também foi, de várias maneiras, um crítico e ensaísta sobre a globalização, a matriz neoliberal e a ideologia dominante no atual período Histórico que vivenciamos.

Autor de O Nome da Rosa e o Pêndulo de Foucault, entre vários best-sellers, lançou em 2015 outro livro polêmico, Número Zero, uma narrativa ácida sobre o atual papel da grande mídia hegemônica global.

Com Apocalípticos e Integrados (1964) traça uma crítica à grande mídia mergulhada numa visão elitista e nostálgica da cultura, ao tempo em que numa atitude cúmplice divulga os produtos culturais ocultando o modo como são produzidos.

Em Número Zero mostra como a chantagem política seria o motor de um jornal que jamais seria publicado, mas sua edição experimental era o próprio mote de uma sórdida trama que, embora ficcional, correspondeu, de fato, à vida política italiana no final do século XX.

Para um dos seus personagens, essa grande mídia não é feita para revelar mas para encobrir as notícias que interessam aos grupos oligarcas que em última instância ditam as regras na sociedade.

As reflexões de Eco têm valor universal já que a preponderância das forças do Mercado financeiro, das corporações legais, ou mais ou menos subterrâneas, continuam dando as linhas editoriais da mídia hegemônica.

É o que acontece no Brasil, e na América Latina, quando os mesmos atores arquitetam o retorno econômico para a via ultraliberal e o democrático rumo a um Estado de Exceção.

Sob a idealização de que a retomada da democracia por si só resolveria os nossos grandes problemas, o País procura agora, imerso em substancial crise institucional, o norte que afirme um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, as grandes reformas sociais inadiáveis, o Estado de Direito indeclinável, a soberania ameaçada.

Assim, nessa peleja não há uma terceira via. Ou se está com o progresso social, a autonomia nacional, ou, de um jeito ou de outro, alinha-se com o retrocesso econômico e institucional.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Além dos limites

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Em 1999 dois coronéis da nova geração de militares chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui publicaram o livro: A Guerra Além dos Limites. Conjecturas sobre a Guerra e a Tática na era da Globalização.

Em substancial ensaio sobre arte militar, questões financeiras, tecnológicas, geopolíticas, eles dizem que a primeira regra do que consideram como Guerra Irrestrita é a de que não existem regras, nada é proibido.

Desde os grandes ataques especulativos financeiros, considerados por eles como capazes de efeitos devastadores equivalentes aos maiores conflitos militares da era contemporânea, à “fabricação” de guerras regionais cujos fins são a posse das riquezas naturais, espaços geomilitares.

Nesses 16 anos do século XXI as opiniões dos analistas chineses mostraram-se acertadas, e mais, os instrumentos da “Guerra sem limites” aperfeiçoam-se na medida em que as inovações tecnológicas avançaram.

Mas o caminho bélico continua a determinar a conquista das riquezas em disputa. É o que acontece, por exemplo, com o que já é possível chamar a estratégica Batalha da Síria.

Ali a velha Ordem encontra-se atolada em uma junção de fatores catastróficos tendo que enfrentar a sofisticada capacidade militar russa, que defende o Estado Sírio e seu governo contra grupos fanáticos terroristas, dos quais os EUA e aliados perderam as rédeas, acontecendo atentados como os de Paris.

Além de uma vaga de centenas de milhares de refugiados rumo à Europa fugindo dos conflitos movidos pelo controle de riquezas naturais, geopolíticos, no Oriente Médio e África.

Mesmo longe do principal teatro de operações, o Brasil, que faz parte dos BRICS, também tem sido atingido pela Guerra sem Limites via sistemática campanha de desconstrução da sua autoestima, identidade cultural, institucional, fragmentação social.

O País vem sendo empurrado através de meticulosa, difusa tempestade midiática, na tentativa de uma conflagração interna com vistas a se impor um novo tipo de Estado de exceção.

Para que quando anêmico, convulsionado, dividido, fragilizado, fiquem expostas suas riquezas naturais, integridade territorial.

Assim, é essencial defender os valores democráticos, a soberania nacional, a legitimidade do governo Dilma, as instituições republicanas, e melhor assimilarmos os fenômenos globais dos novos tempos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A encruzilhada

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Só há sentido na existência do Estado se existe a comunidade nacional. A sociedade brasileira, como as demais, é formada pelo seu contínuo histórico, suas permanências e renovações.

O desenvolvimento das nações não é linear, acontece por meio de contradições algumas antagônicas, outras secundárias.

Sempre, ao longo do processo de construção nacional, desenvolve-se uma permanente luta entre forças conservadoras do status quo versus as grandes maiorias que pelejam pelas grandes transformações.

Essas anseiam pelo desenvolvimento econômico, a distribuição justa da renda nacional, o investimento maciço em infraestrutura, a geração de empregos, salários dignos, uma estrutura de saúde pública eficiente para a sociedade.

Mesmo que todas essas premissas estejam presentes, elas seriam incompletas se for ausente ou precário o investimento estratégico em educação. Desde um excelente ensino básico às universidades públicas de qualidade, que garantam o acesso das maiorias à cultura, ao conhecimento, ao mercado de trabalho em condições justas na disputa por um lugar ao sol.

Qualquer discurso hoje sobre a sociedade brasileira baseada nos critérios do mérito, a “meritocracia”, é falso porque, salvo exceções, só camadas das elites, e alguns setores médios, têm condições de disputar com êxito um espaço no arco das profissões, acesso a funções bem remuneradas via concurso público, porque a realidade age como um estreito funil para as maiorias.

O Brasil avançou na luta contra as desigualdades sociais, a miséria diminuiu substancialmente, as condições de vida melhoraram muito, mas a necessidade de grandes saltos continua urgente para que a nação supere a realidade de um País elitista e socialmente apartado.

O que a grande mídia hegemônica golpista, o “Mercado” rentista, as elites que detêm 1% da riqueza nacional mais temem é esse salto estratégico que, pasmem, são, na verdade, reformas no âmbito de País capitalista para alcançar índices de nação desenvolvida. O que mostra o nível das forças retrógradas no País.

O Brasil, que não está condenado à eterna condição de emergente, vive numa encruzilhada: ou avança rumo ao desenvolvimento soberano, industrializado, com justiça social, ou vê passar a chance de, em meio à crise global, alcançar novos patamares entre a comunidade das nações.