quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Metamorfoses programáticas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


O Brasil é uma nação que tem se defrontado sistematicamente com o desafio de afirmar o seu presente, travando uma luta épica em defesa do seu futuro como processo civilizatório avançado, progressista, singular, herdeiro de uma dolorida, sofrida, jovem trajetória histórica, porém extremamente rica, desbravadora.

Encruzilhada que não é privilégio nosso, existe na maioria dos Países, atropelados por uma involução das esperanças coletivas, individuais semeada pela Nova Ordem mundial.

O Consenso de Washington, que inaugurou a primazia da centralização do capital financeiro, essencial às contrarreformas neoliberais, mergulhou grande parte da humanidade numa espécie de desconstrução dos grandes valores humanistas que surgiram após a catastrófica 2a Guerra Mundial.

O que se tornou hegemônico foi o  “Mercado” financeiro, o fenômeno da grande mídia absolutista, a glorificação da mercadoria, a cultura da celebridade vazia, a apologia ao imediatismo, do aqui, agora, a negação da solidariedade social, individual.

A superação dessa adversidade dá-se através da luta política, a elevação da consciência dos povos oprimidos por brutal concentração social da riqueza em mãos do capital rentista, da grande mídia que não informa, constrói ela própria sua esquizofrênica realidade, cria o fato e a réplica do fato, promove a agenda que convém a esse capital.

A realidade dos BRICS tem sido o principal alento como alternativa, superação dessa extorsão social, econômica, ideológica contra as nações, sociedades. As eleições no Brasil são parte essencial dessa gigantesca peleja.

Assim, a candidatura de Aécio, PSDB, é no fundo, a volta às práticas neoliberais ortodoxas do período de FHC.

Já Marina, vinculada ao fundamentalismo do “Mercado”, insinua-se como o novo no cenário mas representa, publicamente, a velha política do capital financeiro, da grande mídia hegemônica.

Suas metamorfoses programáticas, quase diárias, não são ao acaso, refletem o pragmatismo mais vulgar com vistas a confundir a opinião pública além de contrárias aos interesses nacionais, populares.

Para enfrentar forças tão poderosas, torna-se óbvia, necessária, a crescente, intensa politização da campanha, que fortaleça a organização social decisiva à vitória de Dilma Rousseff  nas eleições de 5 de outubro.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Motivações antagônicas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Em meio ao ódio ideológico, intimidação, que envolvem as eleições presidenciais sempre é bom o esforço para refletir sobre o que está em jogo em 5 de outubro.

As eleições no Brasil possuem significado estratégico. Trata-se dos rumos da sétima economia mundial, nação com dimensões continentais, imensas riquezas naturais renováveis ou perecíveis como o petróleo, ainda a principal fonte de energia, combustível existente.

Cuja população passa de 200 milhões de habitantes, incorpora pelas dimensões geográficas, capacidade industrial, cultural, diplomática, geopolítica, liderança regional, crescente protagonismo mundial através dos BRICS.

Quando na década de 80 a desregulação financeira tornou-se hegemônica nos Estados Unidos, na economia global, consolidou-se o domínio do rentismo, gigantesca centralização do capital financeiro, das contrarreformas neoliberais.

Provocando nova crise sistêmica na economia capitalista, o reinado da especulação em detrimento dos investimentos em áreas produtivas.

A grande mídia associada a essa financeirização fez-se absoluta tendo como resultante a consolidação do chamado pensamento único da governança global, ensejando grave crise civilizacional.

Mas o surgimento dos BRICS passou a demandar outra ordem mundial, a multipolaridade econômica, o retorno aos investimentos produtivos, em infraestrutura, na distribuição da riqueza social concentrada pelo capital especulativo, que tem na política externa dos EUA sua guarda pretoriana.

A candidatura de Aécio Neves, PSDB, representa oxigênio às políticas neoliberais, o Estado nanico, arrocho fiscal, iniciadas nos governos FHC.

Já Marina, apoiada por um dos maiores bancos do País, com uma falsa “nova política”, e sua “democracia direta” (traduz-se como aversão pelas organizações sociais, sindicais) define-se como o “novo” mas, na verdade, representa de fato a agenda do “Mercado”.

Esse “Mercado” financeiro e a grande mídia desejam há tempos anular a consciência social, a insubstituível luta política, o único caminho ao exercício da soberania popular.

Assim como conquistar o poder central, impor as estratégias neoliberais, o Estado mínimo,  privatizar o Banco Central.

Daí, a brutal ofensiva contra a reeleição de Dilma Rousseff. Pelas óbvias razões antagônicas é decisiva a sua vitória.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Mil faces de Marina

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:



A rápida ascensão de Marina Silva mostra que o capital financeiro, a grande mídia resolveram apostar suas fichas, até o momento, em sua candidatura.

O que pode sinalizar o esvaziamento de Aécio Neves, do PSDB, a possibilidade da sua queda abrupta, transformando-o numa figura ornamental.

Por outro lado trata-se de ação aberta, escancarada do capital rentista, da mídia hegemônica, a incitação ao ódio político, moral, ideológico contra a atual presidente da República Dilma Rousseff e o seu campo de alianças.

Iniciativa que não seria exequível sem a anuência dos centros decisórios da banca parasitária, das instâncias de mando da nova Ordem Mundial.

Já a candidata Marina, como todos sabem, não é um personagem fortuito que só surgiu em cena após lamentável tragédia, a morte de Eduardo Campos.

Possui, há um bom tempo, estreitos laços com a casa real britânica e o aparato ideológico da chamada Governança Global.

Sua aura fundamentalista, messiânica, teatral, incorpora na forma o conteúdo programático da agenda desenvolvida pelas elites internacionais dirigentes do Mercado.

Cuja estratégia pressupõe a capitulação econômica, política dos Estados soberanos, como o Brasil, da luta social, do sentimento em comum de nação por parte dos povos.

Em 2012 o jornalista Mauro Santayana afirmou no Jornal do Brasil Online: Marina Silva transita à vontade pelos salões da aristocracia europeia, norte-americana como uma das principais personalidades... Ela está sendo usada para enfraquecer a posição da nação, a prerrogativa de exercer a soberania do nosso território.

Assim como sua “nova política”, a propalada “democracia direta” não implica em transformações democráticas, elevação da consciência social do povo brasileiro mas, ao contrário, é a negação da soberania popular, nacional.

Seu fundamentalismo de mil faces representa o liberalismo econômico extremado, a privatização do Banco Central, do Estado, das riquezas do País tanto quanto a rejeição das organizações sociais como os sindicatos etc.
 
Por isso é decisiva a batalha política, eleitoral, em defesa da reeleição da presidente Dilma para que possamos continuar lutando, de forma consciente, pelas transformações sociais avançadas, reformas políticas democráticas, institucionais, a defesa intransigente da soberania nacional.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Luta Histórica

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:



Há 60 anos suicidava-se Getúlio Vargas depois de sofrer violentos ataques por parte da grande mídia da época, acusado de corrupção, transformar o governo num “mar de lama”. Cercado, adotou como saída política a morte.

A ação extrema de tirar a própria vida reverteu contra os adversários o quadro político da nação, além da célebre carta testamento, acurada análise da realidade do País, pondo em ação milhões de brasileiros irados contra as forças que urdiam o golpe de Estado.

Mas o que estava em jogo era algo mais profundo que derrubar pela força Getúlio, definiam-se com nitidez duas visões distintas de como conduzir os destinos da nação que polarizaram os rumos políticos, acadêmicos do País com certas variações porém sempre em torno do mesmo tema.

De um lado os que defendem o papel estratégico do Estado brasileiro como elemento propulsor do desenvolvimento econômico, no combate às desigualdades sociais, na defesa da soberania nacional.

De outro, ontem como hoje, estão forças alinhadas aos conceitos do liberalismo econômico, adversas ao protagonismo do Estado nacional nas definições dos rumos do Brasil seja no plano da economia ou erradicação da pobreza.

Já o velho liberalismo com a centralização, concentração do capital financeiro global transmutou-se em neoliberalismo.

E os que defendem o papel estratégico do Estado no desenvolvimento econômico, redução dos abismos sociais, a incorporação da sociedade no projeto nacional, passaram a ser considerados “populistas”, idealizadores do “autoritarismo popular” diz o ex-presidente FHC.

Apesar das transformações econômicas, tecnológicas globais e no Brasil, essas duas correntes distintas, com nuances atuais, estão de novo em intenso confronto.

O campo nacional, popular em defesa da reeleição da presidente Dilma versus Aécio Neves, a grande mídia, a ortodoxia neoliberal, sua vertente política derrotada desde as eleições de 2002 inspirada nas teses do sociólogo, ex-presidente FHC.

Já a candidatura de Marina indica conflitos entre setores do Mercado, é óbvio projeto da mídia oligárquica, uma espécie de fundamentalismo messiânico teatral para consumo, a negação da política via uma falsa “nova política”. Mas na verdade o que está em cheque é o contínuo Histórico entre duas visões antagônicas disputando os rumos do Brasil.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sordidez

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:



Todos que lutaram contra o arbítrio, pelo retorno da plenitude democrática, o fizeram em virtude de várias propostas ao Brasil, algumas distintas umas das outras a depender do partido ou grupo social, a esmagadora maioria deles na clandestinidade, mas havia algo fundamental que unificava, a intensa asfixia das liberdades políticas em nosso País.

O retorno da democracia há 29 anos, maior período da nossa História republicana, indica que essa batalha política, de ideias, passou a ser travada, especialmente após o início do século XXI, em patamares mais arejados porém submetidos a fatores econômicos, sociais, ideológicos sob a hegemonia quase absoluta da nova ordem mundial, do capital financeiro internacional.

Que detém, com mão de ferro, o monopólio global da informação utilizando-se da revolução tecnológica, novos instrumentos da informação digital, para impor através desses meios o controle dos povos e das nações seja por vias militares ou pela tentativa de assegurar a prevalência de uma espécie de ditadura mundial do pensamento único e controle das sociedades por parte do Mercado.

Quem achava ficcional essa moldagem orwelliana imposta à humanidade deve ter motivos para compreender a realidade a partir das denúncias de Edward Snowden e Julian Assange revelando ao mundo a sofisticada rede de manipulação, espionagem das nações e cidadãos tendo como centro de poder o capital financeiro concentrado, centralizado sob a batuta da sua guarda pretoriana os Estados Unidos.

O surgimento dos BRICS pôs em curso a modificação dessa realidade geopolítica, econômica, autoritária, unipolar, como transição a outra via multipolar, mais democrática, adversa aos fundamentos da ortodoxia monetária neoliberal.

O Brasil, um dos principais integrantes dos BRICS, vem sendo alvo de intensos ataques dessa Ordem esgotada mas por isso mesmo brutal, insana, que utiliza-se da sua força midiática global e regional, como arma de chantagem e desestabilização.

A campanha presidencial em curso é um exemplo cabal da violência contra a democracia, soberania nacional, a tentativa de empalmar o poder central num cenário de sordidez, grotesca manipulação usada contra a reeleição da presidente Dilma, transformando a eleição num festival de conspirações, delírios, crises montadas. A luta será intensa.