quinta-feira, 10 de abril de 2014

ZunZuneo

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

O mais recente dos movimentos promovidos pelos Estados Unidos em termos de ações de espionagens, sabotagens, provocações, atividades desestabilizadoras contra a legalidade constitucional, soberana das nações transformou-se em escândalo internacional.
Foi o caso em Cuba, com a implantação clandestina pela CIA de programas para as redes sociais assemelhados ao Twitter, denunciada em entidades internacionais, que tinham o propósito já confessado de aliciar setores sociais, especialmente entre a juventude.

Para fomentar convulsões na sociedade cubana monitoradas por entidades como a Freedom Foundation, uma “escola de insurgências” dirigida pelos serviços secretos dos EUA agindo febrilmente em vários continentes e na América Latina.

Baseados em Países da América Central, esses programas chamados de ZunZuneo e Piramideo tinham e mantêm como estratégia a formação profissionalizada de ativistas em camadas da sociedade, na juventude, a preparação de táticas de sublevações através de facções militarizadas, depredações de órgãos públicos, surtos psicossociais de revoltas, fabricação de tempestades de convulsões coletivas indefinidas etc.

As ações do governo norte-americano não são inéditas, vêm sendo aplicadas em vários Países sob a orientação direta dos seus órgãos de inteligência atuando onde interessa à sua política externa para inviabilizar Estados, governos soberanos não subalternos aos seus ditames imperiais.

Ao lado desses projetos cibernéticos agem a grande mídia hegemônica, o capital financeiro, o rentismo, as elites internas retrógadas de cada País como na Venezuela violentamente bombardeada pela mídia e as tais facções na tentativa de um golpe de Estado.

A abrangência das “insurgências democráticas espontâneas” que substituem golpes armados, financiadas a distância, tal como os drones militares, é geral. No Brasil já foi testada em 2013, como ensaio geral, com o apoio da mídia monopolista que continua usando pesquisas fabricadas, terrorismo econômico, boataria intensa, notícias plantadas etc.

Assim o que se encontra em jogo é a soberania do Brasil, nossos fabulosos recursos naturais, o direito do povo brasileiro decidir soberanamente seu destino, os caminhos do futuro. E nesse terreno pantanoso, minado, não há espaço para ingenuidades ou políticas aventureiras.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Caminhos sinuosos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Não há na História contemporânea registro de algum povo que tenha alcançado elevados patamares de melhores condições de vida sem defrontar-se com três questões fundamentais: o desenvolvimento econômico, a emancipação social das grandes maiorias deserdadas do futuro, submetidas a brutais, seculares tipos de exploração, associadas à reafirmação da soberania nacional.
As épocas, os cenários geopolíticos e internos alternam-se mas os três fatores determinantes estão presentes. Quanto ao Brasil se usarmos uma metáfora assemelha-se ao gigantesco rio Amazonas, nutrido por seus afluentes caudalosos, ora remanso, em outros lugares suas águas são espantadas, brumosas prenunciando as corredeiras.

Assim tem sido desde os tempos mais remotos da nossa jovem História, nas lutas anticoloniais contra Portugal, nas batalhas contra a escravidão negra transformadas em poemas insurgentes por Castro Alves, nos duros embates contra o velho colonialismo britânico, o atual imperialismo norte-americano, os combates em defesa das liberdades democráticas, como na ditadura civil-militar de 1964 etc.

No presente continuam indeclináveis os esforços para a reafirmação do desenvolvimento econômico independente, voltado à produção da imprescindível riqueza do País.

Que impulsione as mudanças estruturais, reverta uma dívida social histórica que é uma vergonha moral, exigindo salto definitivo à nossa alma latino-americana lavrada em sangue índio, negro e ibérico, e os demais que os sucederam.

Nós somos ao contrário que certas elites externas, internas difundem, herdeiros dessa trajetória libertária, sofrida porém grandiosa porque é a nossa identidade, acumulamos um contínuo histórico, antropológico, cultural, artístico, inventivo, singular como experiência e aventura humana.

Hoje enfrentamos como os demais povos emergentes, os queridos irmãos latino-americanos, adversários cínicos, violentos, que usam sob novas formas bilionários recursos, atuam diuturnamente para sabotar o nosso inalienável, solidário direito ao sol entre as nações do mundo.

Essas forças do atraso, do capital financeiro, do rentismo utilizam-se de uma brutal máquina, o complexo midiático hegemônico, almejam o caos, a fragmentação social, ingovernabilidade, o autoritarismo, a onda neofascista que eles lançam ao planeta.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Os idos de Abril

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

O golpe contra o governo constitucional de João Goulart em 1964 foi resultado de uma complexa articulação de militares, amplos segmentos conservadores das grandes elites brasileiras, empresas multinacionais, desde o segundo mandato de Getúlio Vargas, abortado por seu suicídio em 1954 provocando grande revolta social que varreu as ruas das grandes cidades, em especial o Rio de Janeiro então capital da República, contra as forças retrógadas, antinacionais.
Através de entidades golpistas, como IPES, o IBAD, montou-se uma sofisticada rede de doutrinação, propaganda, finanças, com apoio de banqueiros, empresários, latifundiários, intelectuais, setores médios, religiosos, grande mídia, todos da linhagem conservadora.

Sob a capa da Guerra Fria, essas frações das elites aliaram-se às intensas atividades ilegais da CIA no Brasil contra “a ameaça comunista à família, à propriedade”.

A divulgação pelo IBOPE que o governo Jango tinha 60% de apoio social mostra que esses segmentos promoveram acirrada perseguição política contra os trabalhadores, estudantes, sindicalistas para a desestabilização constitucional do País.

Diz o historiador Juremir Machado que só na 1ª semana do golpe 10 mil pessoas foram presas, depois 113 senadores, deputados federais, 190 deputados estaduais, 38 vereadores, 30 prefeitos cassados, servidores públicos compulsoriamente demitidos etc.

O único jornal diário de grande circulação nacional à época que se opôs ao golpe foi Última Hora, os demais apoiaram, seguido pelo Correio da Manhã que passou à resistência, logo asfixiado sem publicidade.

Com o AI5 o arbítrio cresceu em ferocidade exigindo luta titânica até a vitória democrática em 1985.

Mas além da conhecida vertente militar foi decisivo ao golpe a presença de extratos da sociedade civil sob a liderança das classes dominantes avessas às reformas sociais, da grande mídia que hoje é hegemônica e refratária ao desenvolvimento do País, íntima do rentismo, da Nova Ordem Mundial.

A vida mostra que nas atuais condições históricas de domínio do capital financeiro, da agressividade geopolítica imperial dos Estados Unidos, cabe ao povo brasileiro intensa organização, constituir ampla unidade em defesa da sua soberania, das liberdades políticas através de grandes mobilizações e muita lucidez política.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ameaça neofascista

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Como todos podem ver, nuvens carregadas estão se acumulando sobre o mundo em todos os continentes, em alguns de maneira dramática, em outros prenunciando a eventualidade de fortes tempestades.
Ao contrário do que os arautos do neoliberalismo propagavam no auge da sua implementação no início da década de noventa passada nós não vimos o “fim da História, uma época de harmonia, paz, num planeta sem fronteiras” anunciados por Francis Fukuyama guru da ortodoxia neoliberal reinante.

O que estamos vivendo desde então, como tragédia em vários sentidos, é sem dúvida o Terror e uma brutal hegemonia do Mercado, do rentismo aliado ao gigantismo de um império, o norte-americano.

Que anulou os grandes paradigmas culturais reconquistados pelos povos após a 2ª Guerra Mundial, impondo em seu lugar a violência, mentira, cinismo, a insânia, numa regressão dos altos valores universais da civilização humana.

É nessa crise civilizacional que estamos metidos associada ao fenômeno da concentração do poder da informação, monopólio ideológico, manipulação de consciências, modos, consumos, da grande mídia internacional íntima dos objetivos do capital rentista, da Nova Ordem mundial.

Mas na mesma época também surgiu a resistência das nações sob a liderança dos BRICS que se opõem a esse mundo unipolar, à agressão contra os Países, resultando daí a multipolarização geopolítica, aumentando o ranço belicista dos EUA, do capital financeiro que passou a assumir caráter neofascista.

No Brasil setores da mídia hegemônica também incorporam esse viés neofascista mas sempre mesclando o discurso antipopular, antinacional com uma falsa aparência radicalizada, ultrista, como se não tivessem sido gestadas e consolidadas no seio da longa noite do arbítrio, da qual nos livramos há 29 anos, sequiosas de formar um campo social, atrair os desavisados, ingênuos, arrivistas ou mesmo os provocadores numa ânsia pela reedição farsesca de novos cabos Anselmos.

Nesse tabuleiro de xadrez global e regional minado é vital a consequência de todos os democratas, independente de opções ideológicas, a defesa da legalidade constitucional, das liberdades políticas, conquistadas através de muita luta, sofrimento, tanto quanto da nossa pátria que não se encontra imune a essa tormenta obscurantista que ameaça os povos.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Tempos decisivos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

O cenário geopolítico global vem se tornando cada vez mais instável em decorrência de um gigantesco embate entre um mundo unipolar submetido aos ditames do Mercado, da sua guarda pretoriana, os Estados Unidos, seus aliados da OTAN e as nações emergentes sob a liderança dos BRICS, que reivindicam outra realidade internacional multipolar com novos padrões econômicos, novas relações internacionais mais democráticas.
A diplomacia vai sendo exigida na medida em que se agudizam os conflitos fomentados pela Nova Ordem mundial que sentindo-se confrontada busca impor seus interesses econômicos, financeiros além da caçada implacável pela ocupação de novos territórios à expansão do Mercado, da guerra de rapina por recursos naturais não renováveis, como o recente exemplo da crise na Ucrânia, o intento golpista em curso na Venezuela.

Um quadro explosivo que espalha por todo lado conflitos políticos em muitos países gerando um clima de sérias instabilidades que podem se aguçar. Assim tem sido o caso do Brasil onde todos motivos tem sido usados para elevar tensões como, por exemplo, ao evento da Copa Mundial de Futebol que se avizinha exitosa.

Mas por isso sabotada através da grande mídia hegemônica, das redes sociais por essas forças externas e grupos internos que jogam nesse tabuleiro de xadrez contrários a um novo mapa internacional multipolar, adversários inclusive do protagonismo geopolítico do País, defendem a velha diplomacia da subordinação e alinhamento incondicional aos EUA, da dependência ao rentismo.

Porém existe outro fator de crise mundial, a possibilidade do estouro de nova bolha financeira, resultante da desregulamentação do capital especulativo global, acumulando uma gigantesca massa concentrada de riqueza fictícia sem lastro na economia real, e operada via o “shadow banking sistemy”, sistema bancário paralelo, que diante da eventualidade de novo cataclismo assume feroz caráter neofascista.

Assim a luta política, de ideias, anuncia-se complexa, renhida numa civilização sacudida por tempestades de convulsões difusas lançadas aos povos por esse Mercado. Impõe-se ao Brasil adotar serena mas firme posição em defesa da geopolítica multipolar, da democracia, garantia da sua soberania, integridade territorial, defesa dos seus fabulosos recursos naturais.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Poder global e política energética

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Disse Freud, pai da psicanálise, que o contrário da brincadeira não é o sério, mas antes o que é real. E o que se anuncia como real é a possibilidade do estouro de uma nova bolha financeira mundial provocada pelo extraordinário processo de concentração, centralização do capital rentista.
Não há como separar as crise políticas, sucessivas intervenções militares contra os Países através de forças armadas capitaneadas pelos Estados Unidos, do estágio agressivo, predador a que chegou nos últimos tempos a hegemonia global das finanças parasitárias, a velocidade de suas bilionárias operações planetárias.

Junto a outros dois fatores centrais, o controle da informação sobre os povos através do monopólio internacional midiático cujo papel central é a difusão da versão dos fatos que interessam a esse capital rentista, somado ao desenvolvimento espetacular da cibernética, verdadeira revolução tecnológica, a serviço primordialmente das transações financeiras em escala mundial.

A utilização pelas sociedades de tecnologias, como a Internet, as redes sociais, resultam de subproduto da engrenagem dessa acumulação financeira, usadas como poder militar, ideológico, sobre as comunidades mas que, paradoxalmente, abrem novos espaços de comunicação individual, social ao largo dos monopólios da mídia porém vigiados, afinal Edward Snowden não é ficção científica.

O capital rentista que assume caráter neofascista, tudo faz para anular esperanças aos povos, aos emergentes como o Brasil, vistos como ameaça geopolítica à ditadura do Mercado, difunde fartamente conceitos pseudocientíficos cujas gêneses possuem razões auto justificáveis mas induzem à inércia econômica.

Assim o jornalista Ênio Lins em artigo na Gazeta de Alagoas aponta o dilema surreal imposto ao governo brasileiro pelo ambientalismo internacional fundamentalista que investe contra a construção da Usina de Belo Monte, repele a energia atômica, as termoelétricas e ainda ataca suposto déficit energético do País.

Desejam que uma nação industrial, continental, com 200 milhões de habitantes, sustente-se unicamente pela matriz eólica e solar que são alternativas, complementares. Na verdade trata-se de incentivo à paralisia econômica, subordinação aos centros globais de poder, abdicação da soberania nacional.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A defesa da nação

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A nova ordem mundial, o Mercado financeiro internacional, continuam a impor a sua agenda aos povos mesclando massiva propaganda ideológica, verdadeira lavagem cerebral, com ações intervencionistas bélicas onde considerem que seus interesses estão sendo prejudicados ou em regiões em que se apresentam possibilidades expansionistas.
Assim é que avançam, como aves de rapina, contra a soberania de diversas nações como a Ucrânia submetida a brutal processo de desestabilização literalmente incendiada após as visitas do secretário de Estado norte-americano John Kerry, do senador republicano John McCain, que foram avalizar o golpe deflagrado dias depois.

Estudiosos da geopolítica dizem que o novo passo será o esquartejamento desse País já que metade da sua população, especialmente das regiões oriental e sul da Ucrânia, repudiam o golpe imposto por hordas de grupos armados, com antecedentes nazifascistas que remontam à expansão alemã-hitlerista na Segunda Guerra Mundial, fartamente financiados pelos Estados Unidos e União Europeia cujos motivos incluem a instalação de bases da OTAN além da incorporação de novos territórios ao Mercado e suas riquezas naturais não renováveis.

Expansão que se estende, como todos estão vendo, por várias regiões inclusive a América Latina onde o alvo central é a Venezuela virulentamente atacada pela grande mídia associada ao Mercado financeiro, aos Estados Unidos, através de grupos mercenários movidos a dólar treinados com o fim de arquitetar a ingovernabilidade, “legitimar” um governo provisório fantoche subserviente aos interesses dos EUA e do capital rentista.

O Brasil não se encontra ao largo dessa agressão movida pelo capital financeiro e sua guarda pretoriana, os Estados Unidos, ao contrário, está no foco mesmo que em um estágio ainda anterior ao da Venezuela, mas a crise estrutural do capital tende a agravar-se assim como já não se descarta o estouro de uma nova bolha financeira mundial e o Mercado deseja avançar sobre as riquezas do Brasil nação industrializada, detentora de fabulosas reservas naturais do planeta.

Assim impõe-se com firmeza a defesa da nossa soberania, a legalidade constitucional, liberdades democráticas, sob reais ameaças dessa nova ofensiva neofascista global encetada pelo Mercado, pelos Estados Unidos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Soberania

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Enquanto a Ucrânia arde em chamas, a Venezuela sofre ondas de turbulências golpistas, todos assistem à ofensiva dos Estados Unidos, guarda pretoriana do mercado, da governança mundial do capital financeiro global, contra a soberania das nações através de intervenções armadas que se multiplicam pelos continentes.
Seja onde for há sempre um pretexto para que se desloquem exércitos, frotas navais, força aérea contra algum País precedidos por um bombardeio de saturação midiática em escala jamais vista pela humanidade promovendo intensa lavagem cerebral contra as sociedades, fenômeno só possível porque em torno dos EUA e do Mercado há em simbiose uma verdadeira ditadura global na área das comunicações.

De tal sorte que o que prevalece não é o fato jornalístico mas a sua versão difundida através das poderosas cadeias de informação mundializadas sempre tendo como eixo central especialmente as grandes redes midiáticas norte-americanas e britânicas.

Assim ao contrário do que se diz nós não vivemos uma época de radicalização dos processos de democratização ao estilo universal ocidental clássico mas o seu inverso, uma intensa regressão civilizacional dos parâmetros democráticos conhecidos, submetidos aos objetivos essenciais desse mercado, do lucro insaciável do capital financeiro.

Da acumulação rentista que aumenta na exata progressão geométrica em que avançam sobre os Países os efeitos da crise capitalista mundial que sacudiu os Estados Unidos, Europa mas que atinge igualmente todas as nações inclusive os BRICS minando possibilidades de maior crescimento econômico, de um salto robusto ao desenvolvimento econômico, melhores condições sociais às suas populações.

O que está em curso é a tentativa de pilhagem dos recursos não renováveis, a subtração das riquezas produzidas pelos povos emergentes como o Brasil, a destruição dos pactos democráticos substituídos pelo autoritarismo, nem que para isso queiram transformar a realização de uma Copa Mundial de Futebol em teatro de operações de guerra monitorado pela CIA, promovido de forma milimétrica, planejada.

O Brasil jamais viveu outro período de tanta fecundidade democrática mas ele deve estar associado à defesa da soberania nacional, das liberdades políticas conquistadas com muitas lutas, sofrimento e dor em passado recente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sementes do ódio

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

O criminalista Antônio Carlos Mariz de Oliveira diz que a sociedade brasileira encontra-se enferma em razão dessa onda indiscriminada de patologias de ódio generalizado.
Na verdade trata-se de um diagnóstico correto desde que esteja associado às razões dessa perigosa enfermidade social, o criminoso processo de regressão civilizatória imposto à humanidade nos últimos vinte anos através da ditadura do Mercado, da Nova Ordem mundial, da Governança Global, da grande mídia associada ao rentismo, difusora ideológica, política, dos padrões da barbárie coletiva, individual ditados aos povos inclusive ao Brasil.

Para que 1% da humanidade conseguisse acumular a exata metade da riqueza produzida pela soma de todos os demais indivíduos do planeta seria impossível a existência de um outro modelo de civilização que não fosse baseado na superexploração da mão de obra assalariada, na promoção de guerras de rapina dos recursos não renováveis dos Países.

Além da tentativa de supressão dos grandes valores universais construídos pela inteligência humana, que resistem em algum lugar na consciência dos povos, já denunciada na virada do século pelo historiador Eric Hobsbawm quando afirmou que as novas gerações estavam sendo forjadas em uma espécie de presente contínuo sem noção do passado mesmo o passado recente.

Essas são condições ideais, para não dizer perfeitas, ao desenvolvimento de movimentos nazifascistas que na História sempre representaram a forma mais agressiva do capital rentista à exploração das nações como das várias camadas sociais.

Os virulentos grupos mascarados que não brotam por geração espontânea “estreiam” no Brasil incitados pragmaticamente pela grande mídia para desestabilizar o governo federal, agora correm o risco de fugir ao controle dessas elites retrógradas mas desejosas de artifício golpista.

Mais que destruir a democracia, derrubar o atual governo federal legitimamente eleito, o Mercado, os EUA, apostam na fragmentação do tecido social, incentivam a luta de cada um contra todos e todos contra qualquer um, temendo que assaltado pela lucidez o povo brasileiro avance a um efetivo projeto de desenvolvimento nacional, erradique as históricas, abissais desigualdades sociais, construa através da democracia uma nação livre, soberana, desenvolvida, solidária.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A História nos ensina

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

 
A revelação das conversas do então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, com o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, em pleno salão oval da Casa Branca confirmou os elementos, as provas do financiamento de uma conspiração contra João Goulart, o principal mandatário brasileiro nos idos dos primeiros anos da década de sessenta passada.
Na verdade, detecta-se o ódio a estigmatização contra Jango já na sua condição de Ministro do Trabalho do governo Getúlio Vargas muito mais pela singularidade de ser o herdeiro do trabalhismo de Vargas que pelo fato de decretar um aumento de 100% no salário mínimo dos trabalhadores resultando em sua demissão mas não na revogação do aumento concedido.
Daí foi implacável a perseguição política, o cerco sistemático de uma mídia conservadora, quando não abertamente golpista, iniciando-se na época a escalada hegemônica que se expressa abertamente nos dias atuais.

Jango foi deposto por uma conspiração civil-militar que esteve presente nas águas brasileiras com uma frota de navios de guerra e de um porta aviões dos EUA, na chuva de dólares para candidaturas oposicionistas em eleições gerais, na presença de milhares de agentes estadunidenses colhendo informações acobertados na “Aliança para o Progresso” onde deveriam hipoteticamente prestar serviços a programas sociais etc.

De acordo com recente livro publicado por Juremir Machado, doutor pela Universidade de Sorbonne “Jango, a vida e a morte no exílio” só na primeira semana pós golpe dez mil pessoas foram presas incluindo o ex-governador Miguel Arraes.

São cassados mandatos de 113 deputados federais, senadores, 190 deputados estaduais, 38 vereadores e 30 prefeitos, afastamento compulsório de vários ministros do Supremo Tribunal Federal através de atos institucionais discricionários com evidente intuito de alterar correlações de forças existentes iniciando uma trágica noite de arbítrio, censura que durou 21 anos.

Assim nas lutas políticas atuais o Brasil não pode ignorar o conhecimento histórico do passado recente sob pena de amnésico não compreender os fenômenos do presente para superá-los através de uma frente nacional, popular em defesa da democracia, do desenvolvimento independente e seu relevante papel no teatro geopolítico das nações neste século XXI.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O novo personagem

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

 
Dentre os fenômenos de massas a nível internacional em 2013, início de 2014, grande parte deles gestada pela brutal desordem econômica, social, do capital financeiro mundial, um deles se destaca: o surgimento do Papa Francisco como contraponto, liderança crítica ao neoliberalismo em consequência à ditadura global do Mercado, somando forças com aqueles que já estavam na luta de resistência.

Por ser inesperado o protagonismo de Francisco tornou-se impactante colhendo simpatia, apreço, identificação com suas palavras por amplos segmentos religiosos, além da sua liderança no mundo católico, estendendo-se também aos laicos, agnósticos e ateus.

Em função da representatividade incontestável, apesar do declínio relativo nos últimos anos do Vaticano, temas pendentes inclusive com minorias, as posições do novo Papa receberam extraordinário acolhimento de centenas de milhões de pessoas em todos os Países.

E creio se essas palavras, atitudes, são muito positivas para a igreja Católica, foram bem vindas às pessoas sinceramente desejosas de novos tempos a essa civilização da nova ordem mundial, da Governança Global, do rentismo, imposta a ferro, fogo e bala em todos os lugares.

O mérito das ideias pregadas por Francisco tem sido a junção dos elementos da denúncia de um modelo econômico violentamente injusto, associada à conclamação e o alento mobilizador aos caminhos da esperança na mudança de uma ordem mundial desequilibrada em virtude da hegemonia de um pequeno punhado de nababos que a usufruem com sua guarda pretoriana armada, os EUA, protegendo-os e usurpando novos territórios.

Uma época que em duas décadas presenciou o escárnio de 85 pessoas mais ricas somarem mais fortuna que 3,5 bilhões dos seres mais pobres do planeta onde 1% dos indivíduos detém a exata metade da riqueza da Terra é alvissareira a serena indignação de Francisco, firme determinação em somar-se às alternativas de uma sociedade mais justa através de uma linguagem simples, humilde, acessível às multidões.

A vinda de Francisco ao Brasil em 2013, levando às ruas dezenas de milhões de pessoas num País conturbado por tempestades de ansiedades difusas, indefinidas, movimentos vários deles suspeitos, transplantados, revelou um repúdio ao Mercado e seu desprezo pela humanidade, compulsiva antropofobia.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A ditadura do Mercado

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Segundo a entidade Oxfam International um grupo de 85 pessoas mais ricas do mundo concentra a fortuna equivalente aos 3,5 bilhões dos indivíduos mais pobres do planeta sendo que 1% da população mundial detém a metade da riqueza produzida ou seja, 110 trilhões de dólares.
Esse pode ser considerado um balanço macabro principalmente sobre as duas últimas décadas em que reinou inconteste a nova ordem mundial, a doutrina neoliberal produzindo um brutal processo de concentração de capital e renda jamais presenciado em épocas anteriores.

O reinado absoluto do rentismo, as contradições sistêmicas surgidas provocaram uma sequência de crises econômicas sendo que a última delas veio à tona em 2008 com a quebra fraudulenta dos grandes bancos norte-americanos socorridos pelo governo dos EUA na era Bush, depois pelo presidente Obama sob o argumento que eram “grandes demais para quebrar”.

Essa crise financeira espalhou-se pela economia mundial atingindo a todos gerando uma onda de choques provocando o desemprego de centenas de milhões de assalariados levando a falência setores do comércio, indústria principalmente nos Países desenvolvidos, especialmente no continente europeu e Estados Unidos.

O remédio “amargo” prescrito foi a recessão, cortes nos investimentos públicos atingindo os assalariados, classe média dessas nações que se viram sem as históricas conquistas sociais adquiridas após a 2ª Guerra Mundial.

Para que a nova ordem mundial pudesse impor aos povos tal espoliação subordinaram os organismos internacionais aos ditames do capital rentista à força hegemônica da maior potência militar da Terra os EUA que agem como a guarda pretoriana do Mercado, da “Governança Mundial”.

Daí a grande mídia global associada ao rentismo passou a exercer o papel de mentora ideológica da ordem neoliberal, formatando a ditadura do Mercado, num cenário de desorientação geral, ameaças à identidade cultural dos povos, aumento da criminalidade, guerra de rapina dos recursos não renováveis dos Países, o bilionário negócio global do narcodólar.

Como nada indica a contenção da voracidade do capital rentista nem o declínio da crise financeira cabe ao Brasil nesse cenário geopolítico adotar novas medidas em defesa da sua economia, integridade territorial, da própria soberania nacional.