quinta-feira, 25 de junho de 2015

É a globalização

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Tornou-se um clichê redundante, a fórmula mágica para explicar os múltiplos fenômenos que estão ocorrendo na sociedade de maneira cada vez mais avassaladora, rápidos e intensos: “ora, é a globalização, tudo o que se passa no mundo nos diz respeito, e nos afeta porque estamos conectados em uma sociedade digital”.

Criam-se então padrões globais para tudo ou qualquer coisa, invariavelmente assimilados, dados como certos, incontestáveis, já que são divulgados através de poderosos instrumentos midiáticos.

Uma grande mídia cuja função deixou de ser, há um bom tempo, informar aos leitores (mesmo como uma informação parcial, de classe), passou a determinar a linha de conduta da sociedade, a direção do que é verdadeiro, mesmo que falso, e o que é tido como politicamente incorreto.

O papel crescente da grande mídia oligárquica pode ser medido na dimensão com que ela passou a substituir, inclusive, organizações partidárias, aquelas de caráter retrógrado do liberalismo, recauchutado como neoliberalismo.

A face da ortodoxia econômica é a mais sentida visto que ela produz efeitos catastróficos entre as nações. A crise estrutural capitalista de 2008 tem se revelado um terremoto econômico, social comparável à bancarrota de 1929.

O processo de globalização é irreversível em várias direções como a velocidade das transações comerciais, financeiras, comunicações, cibernética, advindas de revolução tecnológica.

Mas a verdade é que movida por tecnologias inovadoras tem sido usada em beneficio de uma ínfima minoria de biliardários que enriquecem à velocidade da fibra ótica em detrimento da miséria crescente das maiorias sociais.

Como se disse, “espalham-se novos costumes, novas tecnologias com novos mimetismos, alimentam um, antes impensável, estoque de agressividade”. Destroem-se raízes, identidades culturais, as liberdades individuais e coletivas dos povos vão sendo destroçadas.

Portanto impõem em detrimento das grandes causas e valores universais a divinização da mercadoria. A tentativa de fazer valer uma espécie de anorexia ideológica ou mesmo mental.

Assim, tanto é verdade a globalização, como ela não é neutra. Encontra-se sob o jugo do capital financeiro mundial, o imperialismo, a grande mídia mundial. Contra esses adversários os indivíduos, as nações lutam com justeza.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A política e a economia

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas:


Em conversa sobre a conjuntura, um jovem ativista indagou se a saída da atual crise institucional em que vive o País é de natureza econômica ou política.

Tenho a impressão que ela se expressa através dos dois vetores, sendo que ela é essencialmente política, dado que é pela via da luta de ideias e a articulação de setores políticos, camadas sociais, que se encontram as saídas e os rumos de qualquer processo, seja ele imediato ou de fundo estratégico.

No entanto, se é verdade que não há solução para as crises econômicas fora da iniciativa, da decisão pela vontade política, também não é menos correto, entendo, identificar que o acerto na tática ou na estratégia política não substitui por si só a necessária orientação de uma linha econômica.

Por outro lado existe no campo das várias ciências, como na História, antropologia, sociologia etc., um confronto, que já é de largo tempo, entre aqueles que consideram que o Brasil só conseguiria modernizar-se economicamente de maneira associada e dependente ao capital financeiro internacional e aqueles que lutam pelo protagonismo do País e da sociedade brasileira.

Além da subordinação intelectual às grandes metrópoles mundiais seja à Inglaterra, de ontem, quanto aos Estados Unidos hoje.

Daí resulta aquilo que já se chamou a sociologia do desgosto para com o Brasil. Uma visão cosmopolita subordinada, a incapacidade de pensar o País a partir das suas particularidades e necessidades. Dos seus objetivos estratégicos e prioridades enquanto Estado independente, das aspirações da sociedade nacional. Na verdade, é o velho complexo de inferioridade citado por Nelson Rodrigues.

É fundamental vencer a ideia da dependência ideológica bradada pela grande mídia oligárquica, encontrar rumos que apontem um novo projeto nacional de desenvolvimento econômico.

São desafios que serão enfrentados através da construção de ampla frente democrática patriótica contra as forças retrógradas, em defesa do Brasil e por um desenvolvimento econômico mais avançado.

O País necessita enfrentar uma crise política muito complexa, onde forças conservadoras buscam sistematicamente, com o apoio da mídia hegemônica, interromper o legítimo resultado das eleições presidenciais, ao tempo em que é fundamental compor um novo ciclo de crescimento virtuoso.


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Iniciativas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O anúncio do governo Dilma de investimentos na ordem de 198,4 bilhões de reais em infraestrutura nos setores de portos, aeroportos, rodovias, hidrovias, ferrovias é positivo.

Trata-se de iniciativa eficaz, introduz uma agenda efetiva em contraponto ao bombardeio midiático oligárquico onde circula de tudo: golpismo sem pudor, rumores, contrarrumores mas acima de tudo uma campanha implacável contra os interesses da nação, provenientes de forças alinhadas à ortodoxia liberal ombreadas com a Teoria da Dependência econômica, política.

A decisão de investimentos na infraestrutura, em situação econômica mundial adversa, deve contribuir para impulsionar a indústria nacional, a geração de emprego, renda. É orientação propositiva diferente do viés liberal no qual a lógica da economia regula-se por conta própria sem o papel do Estado.

O discurso neoliberal que fez-se totalitário nas últimas décadas tem sido pródigo em vociferar através de poderosos meios de comunicação onipotentes, que dominam as mídias escrita, televisiva, digital, a tese capitulacionista que aponta o Estado nacional como culpado pelos males econômicos, sociais, políticos do Brasil.

Mais que isso, o Estado seria na essência fator maligno congênito de corrupção, propaga a recorrente campanha ideológica de âmbito mundial para tentar desarticular o papel estratégico das economias emergentes, especialmente dos BRICS.

Assim, tal campanha que representa os interesses do liberalismo econômico sectário, alinhado ao Mercado financeiro, sempre tem como objetivo central a apropriação do Estado como fonte decisiva para empalmar as finanças nacionais, reorientar o caráter das empresas estatais privatizando-as.

Tanto como debilitar qualquer projeto de desenvolvimento independente que enseje o protagonismo do Brasil na geopolítica global de forma solidária.

A ótica do capital rentista tem sido: impedir o crescimento através do círculo vicioso de uma agenda macroeconômica recessiva presa às exigências do jogo especulativo, refratária ao desenvolvimento econômico, desregular conquistas trabalhistas do povo brasileiro.

A atual instabilidade do País só será vencida através das iniciativas políticas concretas e parcerias econômicas estratégicas com nações empenhadas em construir novo desenho da paz e progresso aos povos.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

As pragas da Nova Ordem

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Apesar da grande revolução tecnológica ninguém em sã consciência consegue admitir que vivemos uma época de prosperidade civilizacional. Nem mesmo Cândido, o otimista personagem de Voltaire.

Ao contrário agravou-se a crise capitalista da nova ordem mundial cuja gênese pode ser indicada na década de 80.

A tragédia financeira imposta aos povos trouxe em consequência uma hegemonia imperialista distinta das épocas colonial e neocolonial que ensejaram as lutas de libertação nacional, social nos anos 70 do século XX especialmente no sudeste asiático e continente africano.

A governança imperialista fez-se de forma absoluta: militar, cultural, ideológica, financeira, midiática. Juntas constituíram uma espécie de ditadura do pensamento único para a maximização dos objetivos do Mercado rentista e dominação política mundial.

Mesmo com a emergência dos BRICS ainda vivemos uma fase de resistência, transição para outra ordem multilateral. E a ferocidade do status quo aumenta na proporção que viceja alternativa mais democrática e justa.

No entanto são cada vez mais expostas as sequelas da política de terra arrasada do reinado neoliberal que se assemelham a pragas espalhadas ao vento pelos continentes.

A violência urbana, social ou individual, por exemplo, deita raiz no tipo de civilização erigida nesses tempos. Não como decorrência natural do crescimento das cidades, aumento da população global. Trata-se de uma falácia.

As vagas errantes de imigrantes pelos mares da Europa resultam das intervenções imperialistas que varrem o Oriente, África, na pilhagem dos recursos naturais escorraçando populações inteiras como párias sem raízes, dinheiro, sem nome, sem idioma, desesperados.

A crise de 2008 aprofundou a debacle financeira inclusive das regiões ricas, Europa, EUA, gerando desemprego, precarização de conquistas trabalhistas, índices pífios de crescimento econômico global.

O terrorismo que assola o Oriente, Europa, vem da desestabilização de nações como Iraque, Líbia, Síria e vastas regiões, mas foram treinados, armados para os objetivos imperialistas.

A sociedade digital, imediatista, autocentrada, esconde em seu interior uma crise civilizacional sem precedentes, inclusive no Brasil, que deve ser superada com muita luta política, ideias renovadas de valor universal.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A geografia da crise

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Quando observamos o cenário geopolítico global, o que enxergamos é um quadro de grande tragédia, desemprego em massa, diáspora de povos fugindo de genocídios ou massacres através de imensas correntes migratórias cruzando os mares da Europa, Ásia etc.

São tantos os conflitos, guerras regionais, e continuam se espalhando, que o diagnóstico do papa Francisco I, de que vivemos algo como uma Terceira Guerra Mundial fatiada, aproxima-se muito da realidade.

Na verdade o que estamos assistindo é o barulho estrondoso que faz a decadência imperial norte-americana. Que por isso mesmo aumenta em agressividade, na determinação de continuar ditando uma hegemonia feroz e decaída.

Hegemonia erguida a ferro, fogo, agravada pelo Consenso de Washington em 1989 que impôs aos povos o receituário neoliberal com medidas como privatização das empresas estatais, fratura do Estado nacional como indutor estratégico do desenvolvimento, precarização de direitos trabalhistas etc.

Políticas que representaram a consolidação da governança neoliberal em nível planetário, do capital financeiro internacional sob a gendarmeria dos Estados Unidos, e o dólar ratificado como moeda padrão.

Configurou-se um sistema financeiro, político, militar, cultural, midiático quase absoluto de tal forma que Francis Fukuyama guru neoliberal nipo-americano profetizou à época o fim da História.

As consequências estão à vista: crise econômica, financeira, social, civilizacional em escala global.

Com a emergência dos BRICS, de uma nova geopolítica multilateral, a reação do capital financeiro, dos EUA tem sido a estratégia do “Confronto Total”, a defesa dos privilégios ameaçados. Daí é que agravaram-se os fatores da crise mundial.

A hegemonia global do neoliberalismo gerou também uma “globalização das maneiras de sofrimento”, de sociedades pantanosas, atônitas, centradas exclusivamente nos valores do Mercado. Mas o neoliberalismo assim como a hegemonia imperial dos EUA esgotaram-se.

O Brasil, integrante dos BRICS, tem sido alvo constante de sabotagens das forças do Mercado, necessita descortinar nesses períodos de tempestades as formas que continuem assegurando o desenvolvimento, a soberania, a plenitude democrática, a renovação da nossa autoestima como povo e um projeto de civilização que a nós seja próprio.