sábado, 18 de maio de 2013

O que faz falta

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente.


A América Latina é uma região que se ergue reivindicando com energia a superação de séculos de atraso e subjugação do colonialismo e neocolonialismo.

Quem visitou o espetacular Museu do Ouro em Bogotá, uma espécie de Louvre das obras de arte das antigas civilizações colombianas onde se encontram lindas esculturas feitas pelos povos que foram extintos através de genocídio dos conquistadores, constata que além da barbárie da Coroa de Espanha havia outro motivo para tantos crimes hediondos: o ouro puro, maciço e abundante na região presente nas esculturas, utensílios dos nativos.

No Brasil a colonização portuguesa não foi diferente da espanhola apesar de distinta na concepção estratégica mas a força, a usurpação das riquezas foram as mesmas.

Nas lutas pela independência o continente, inspirado na revolução francesa, contra a escravidão, sentiu os ares dos novos tempos e não foram poucos os mártires que deram as suas vidas nos confrontos pela libertação.

Já a galeria de lutadores nacionais, heróis de uma pátria em fazimento, exibe figuras como Tiradentes, Frei Caneca, o 2 de julho na Bahia, a rebelião contra a escravidão na República dos Palmares, Alagoas, os combatentes contra os arbítrios, na ditadura de 1964 etc. etc.

Mas é justo afirmar que foi na batalha do Morro dos Guararapes em Pernambuco que surgiu com força o sentimento de patriotismo quando brasileiros que já se sentiam como tal, de nascença e de coração, mestiçados na alma e no corpo, travaram luta decisiva pela expulsão dos invasores holandeses do País.

Porém o grande visionário de uma América solidária livre de qualquer tipo de subjugador foi Simon Bolívar, que aliás teve como um dos seus principais generais Abreu e Lima, um brasileiro pernambucano que se uniu ao sonho fantástico, à epopeia gigantesca do Libertador.

A prova de que as ideias desse personagem não eram alucinadas é que hoje elas reassumem a dimensão concreta das aspirações de uma América livre, independente, soberana.

Quanto ao Brasil o que está fazendo falta é a concretização de um projeto econômico, social, político estratégico que defenda com clareza e soberania do País, mobilize as grandes maiorias para que se possa combater as forças externas, internas retrógradas, ligadas ao monopólio midiático reacionário entreguista que investe diuturnamente na fragmentação, dispersão, alienação, embrutecimento mental do povo brasileiro.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nossa América

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertao, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


 
Em meio à profunda crise estrutural do capitalismo em sua fase neoliberal, que já perdura por mais de três décadas no planeta, todos os olhos se voltam para a América Latina como sinal de esperança a um mundo menos injusto, dilacerado por guerras imperialistas, correntes migratórias atônitas de trabalhadores desempregados, destruição da identidade dos povos etc.

Sobre a atual situação da Europa nada mais instigante que o registro de Gabriel Garcia Márquez, gigante da literatura universal, no prólogo aos Doze contos peregrinos, do porque teve que refazer literalmente as anotações dos textos que compõem o seu livro.

Disse ele que ao revisitar o Velho Mundo para atestar a realidade que fotografou em sua mente e passou ao papel foi tomado por um impacto fulminante porque nada mais tinha a ver com as suas recordações, a Europa atual estava tomada por uma regressão assombrosa.

As recordações reais lhes pareciam fantasmas da memória, enquanto que as recordações falsas eram tão convincentes que haviam suplantado a realidade de modo que lhe era impossível distinguir a desilusão da nostalgia, por isso que sentiu-se na obrigação de recomeçar os contos do início, mais uma vez.

Mas o problema é que ele escreveu isso durante os anos noventa e de lá para cá a Europa e os Estados Unidos já ultrapassaram qualquer absurdo fantástico que uma mente lúcida e brilhante como a de Gabriel Garcia Márquez pudesse imaginar.

Muito menos as mudanças econômicas e geopolíticas que o planeta sofreu, de tal sorte que a sua dolorida e sacrificada América Latina se transformasse no depositário de transformações, laboratório de experiências sociais progressistas que sinalizam ao mundo ocidental um bálsamo para as muitas feridas que lhe castigam.

Não que essa América, que é a nossa, já tenha superado as seculares chagas sociais, políticas, morais, econômicas que lhes foram impostas pelos antigos colonizadores, depois pelas oligarquias regionais predadoras e os atuais neocolonizadores especialmente anglo-americanos.
 
Porém o que se constata até o momento é o rumo das mudanças e por isso é que existe uma febril, constante, abrasadora conspiração reacionária externa norte-americana e interna dos que só se sentem confortáveis em meio a um contexto doentio que as maiorias teimam em mudar para melhor, como um continente que se ergue por inteiro desejoso de ser um território livre e independente.

Muralha da informação

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertao, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Dentre os vários problemas nacionais um deles é sem dúvida alguma a muralha da informação, ou da contrainformação, que separa o Brasil da realidade mundial e não se trata da informação imparcial porque como já se disse não há notícia ingênua, mas da narrativa dos fatos com algum grau de objetividade, veracidade.
A grande mídia dos Países mais destacados guarda algum pudor diante da versão dos acontecimentos mesmo que esteja presente o viés ideológico, estatal ou privado, direcionando o ângulo da notícia.

Porém hoje em dia existe uma efetiva quebra do monopólio global da comunicação que desde o final dos anos oitenta se encontrava em mãos exclusivas dos Estados Unidos, e filiais legítimas ou oficiosas, nas mais diversas nações.

Há na atualidade uma diversidade de informação transitando pelas autovias da comunicação graças à revolução científica e tecnológica dos meios de comunicação nesses últimos quinze anos.

As pessoas podem cotejar as mais contraditórias explicações sobre os acontecimentos através do manuseio de um simples apertar de botão do controle remoto de um aparelho de televisão o que praticamente obriga a imprensa escrita, ou pela Internet, a não escamotear os fatos que estão se desenrolando em escala mundial.

Porém no Brasil as coisas se passam de maneira diferente porque o controle monopolista da mídia hegemônica é de tal magnitude que não existe a versão alternativa sobre o que está acontecendo, inclusive nos canais por assinatura já que eles também se encontram sob o estrito controle internacional e regional.

Trata-se de uma contundente ditadura econômica neoliberal midiática de tal maneira que o Brasil encontra-se ilhado quanto aos fenômenos em curso, salvo por notícias esparsas, desconexas, da crise do capitalismo em todo o mundo.

As gigantescas e contínuas manifestações de inconformismo social que se espalham pela Europa não têm a exata dimensão noticiosa entre nós, tampouco os avanços contra o neoliberalismo que se espalham pela América Latina, nem o banho de sangue decorrente das intervenções armadas no Oriente e boa parte da Ásia.

Na medida em que avança a alternativa ao neoliberalismo em nosso continente, cresce a resistência popular na Europa, intensificam-se os conflitos em vários lugares do mundo impõe-se a luta pela democratização da mídia no País para a elevação da consciência social e a garantia da soberania nacional.

Batalha estratégica

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertao, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A Venezuela vem enfrentando desde a vitória eleitoral do movimento bolivariano sob a liderança de Hugo Chávez, as mais tenebrosas conspirações promovidas por suas oligarquias internas acumpliciadas com interesses imperialistas.
Os episódios desencadeados após as eleições presidenciais naquele País em 14 de abril, sequenciados nas horas seguintes com a morte de oito pessoas, atentados contra sedes de organizações populares e partidos políticos, boataria generalizada sobre sublevações militares, foram um conjunto de iniciativas premeditadas com o objetivo de desestabilização da nação venezuelana e a promoção de um golpe de Estado.

Na verdade essa não foi a primeira tentativa golpista, e não será a última, rechaçada pelos segmentos majoritários da sociedade da Venezuela. Só que ao contrário das décadas anteriores os governos dos Países sul-americanos de caráter democrático e progressista repudiaram os movimentos de subversão externos e internos e imediatamente legitimaram o presidente Maduro democraticamente eleito pelo povo em histórica reunião da UNASUL realizada em Lima, Peru.

Porém os acontecimentos na Venezuela não são isolados, fazem parte de um contexto que se espalha pelo continente, motivado pela fobia das forças reacionárias de toda a região, da América Central, Caribe e América do Sul, tendo em vista a emergência, protagonismo, a unidade das grandes maiorias dos povos americanos.

Resulta de condição geopolítica política singular o surgimento de uma série de governos, com feições diferenciadas, soberanos e democráticos, na última década, e a acentuada queda do papel dos partidos políticos conservadores e neoliberais.

De tal forma se evidencia essa retração das neo-oligarquias que elas estão sendo substituídas, em virtude de óbvia rejeição social, pelos monopólios de comunicação associados ao complexo midiático internacional anglo-americano, que passam a travar virulenta luta ideológica golpista, à intenção da manipulação das redes sociais especialmente entre a juventude, com os mesmos intentos.

Assim o que está em curso é uma estratégica batalha entre os que pelejam pela independência, o progresso das Américas, contra as forças desejosas do retrocesso social, da abdicação da soberania dessas nações aos interesses econômicos, o alinhamento automático, dependente, submisso da América Latina às determinações forâneas sejam elas quais forem.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Muita Paz nessa hora

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertao, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Passeata pela paz em Bogota no dia 9 de abril


Num planeta imerso em guerras, crise econômica profunda, a América Latina e o Caribe ressaltam-se como regiões diferenciadas por melhorias no desenvolvimento apesar das graves, históricas desigualdades de origem secular que persistem.

Esse ciclo positivo iniciou-se, de modo heterogêneo, desde o início do século XXI e prossegue aos dias atuais mesmo no auge da crise estrutural capitalista que atinge especialmente os Países da Europa e os Estados Unidos da América.

Todavia, presenciamos nos demais continentes uma perigosa escalada de variados conflitos e guerras que se espalham pelo Oriente Médio, Ásia, África quase todos envolvendo direta ou indiretamente o consórcio anglo-americano cujas motivações estão ligadas a objetivos geopolíticos e à posse por recursos naturais renováveis ou não.

A América Latina que durante séculos tem sido uma região estagnada, desapropriada de suas riquezas, mão de obra e matérias primas por colonizadores e neo-colonizadores, experimenta atualmente a possibilidade de trilhar, através de muita luta e determinação, um ciclo mais favorável de emergência das suas potencialidades através da construção, bastante árdua, da união dos seus Estados através do MERCOSUL e da CELAC.

O que exige a reafirmação da soberania desses Países que constituem esses dois blocos internacionais, por um logo período de paz entre as suas fronteiras, coisas que com muito esforço político, diplomático, vem sendo conquistadas.

Essa reinvindicação da paz pressupõe a necessidade da superação das abissais desigualdades econômicas, sociais, que ainda mantêm a região sob um brutal atraso interno em cada nação, como entre os povos latino-americanos como um todo.

A vitória eleitoral de Maduro, do movimento bolivariano na Venezuela é reveladora de avanços substanciais principalmente no combate decidido, sereno às ações provocadoras das forças reacionárias que desejam o retorno ao antigo status quo.

Por isso é emblemática a gigantesca marcha pela paz dos bravos na Colômbia reunindo centenas de milhares de pessoas exigindo uma nova era ao País que se caracteriza pela sua histórica riqueza cultural, de gente séria, acolhedora e altiva.

Assim, a luta pela paz é elemento indispensável ao progresso das nações latino-americanas que devem mostrar igualmente atitude militante, solidariedade aos povos ameaçados por intervenções ou agressões em qualquer parte do mundo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A contra-revolução de Margaret Thatcher

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A morte da ex-primeira ministra da Grã Bretanha Margaret Thatcher é uma espécie de canto dos cisnes de uma “contra-revolução mundial conservadora”, econômica, multilateral, cultural, ainda hegemônica em boa parte do planeta desde os anos setenta aos dias atuais.

Thatcher iniciou o seu governo em 1979 e nos dezoito anos seguintes as estratégias neoliberais mantiveram o domínio sobre os destinos do Reino Unido em uma agressiva onda de privatizações de todos os segmentos da economia britânica.

Quando o partido Trabalhista retornou ao poder as modificações nas relações de produção, sociais, jurídicas, da sociedade já tinham alcançado tal ponto de inflexão que não era mais possível reeditar, sem uma ruptura política, as linhas econômicas Keynesianas do Estado de Bem Estar Social até então em vigor na Europa ocidental após a Segunda Guerra Mundial.

Daí, o partido Trabalhista inglês também começou a fazer sua própria transformação, com outras agremiações sociais democratas, para uma plataforma neoliberal mitigada com políticas sociais.

A aliança entre os Conservadores de Margaret Thatcher com o governo norte-americano de Ronald Reagan associada à queda do muro de Berlim, à debacle da União Soviética, deu início à “mundialização do capital financeiro”, à “ditadura global dos credores”, o regime absolutista neoliberal no planeta.

Para o êxito do projeto consagrou-se algo decisivo, a incorporação da grande mídia em instrumento de divulgação unilateral dessa estratégia geral do capital rentista, da nova etapa expansionista militar imperialista.

Esse processo de concentração de poder do capital rentista impulsionou a hegemonia ideológica quase que total da chamada nova ordem mundial submetendo valores universais conquistados pela humanidade.

Impondo em seu lugar a exacerbação do individualismo antagonista procurando anular as organizações classistas dos trabalhadores e demais movimentos que lutam por avanços sociais, soberania das nações, as maiorias destituídas de futuro mais digno.
 
Thatcher a "dama de ferro" morreu no auge da fadiga estrutural do sistema que ela ajudou a criar vendo a Europa, os EUA em decadência com dezenas de milhões de desempregados, um planeta saturado por agressões armadas imperialistas, a emergência de outra ordem global multilateral, a vigorosa retomada de lutas dos cidadãos pelos seus direitos e um mundo melhor.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Os vendedores de vento e o sabão de coco

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


As exigências do grande capital rentista para não promover uma guerra de classes contra os governos de coalizão sob a liderança do Partido dos Trabalhadores foram três questões tidas como dogmas macroeconômicos na economia do mercado global: metas de inflação, câmbio flutuante, superávit primário nas contas públicas.

Mesmo assim e apesar disso o País assiste a uma fuzilaria através da grande mídia nacional e respectivas matrizes norte-americanas, inglesas, contra as medidas adotadas pela presidenta da República, ações concretas que provocam a queda sistemática dos juros, acusando o governo de interferência nas leis do mercado, “alertando sobre os perigos de surto inflacionário iminente”.

Como remédio ao suposto fantasma inflacionário rondando os lares dos brasileiros propõe-se a receita neoliberal ortodoxa, ou seja, novas altas dos juros básicos (taxa Selic) e como sinal de que não estão blefando, agências globais reforçam a iniciativa através do rebaixamento das classificações de risco dos bancos públicos do País.

De acordo com a revista Resenha Estratégica os especuladores  financeiros nem se dão ao trabalho de amenizar o profundo desprezo às amplas camadas sociais, propondo frear o crescimento econômico, precário devido à insuficiência de investimentos em infraestrutura e à crise capitalista, gargalos, não só os únicos, a um grande salto no desenvolvimento.

Já um ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central, declarou que “a saída é frear a economia, é demitir mesmo. Não se faz omelete sem quebrar os ovos”.

Na linha contrária, coisas da História, está, entre muitos, o ex-ministro, economista Delfim Neto para quem essa mídia, o capital rentista são “vendedores de vento, da riqueza imaginária, os derivativos cáusticos, espremidos pela baixa do juro, dependendo de alta da Selic para manter lucros estratosféricos ludibriando pequenos investidores, setores médios, propondo aos mais pobres que voltem a tomar banho com sabão de coco”.
 
A grande mídia, o capital rentista, impuseram ao País uma agenda fragmentária, com alguns temas auto-justificáveis, mas diversionista em questões cruciais da nação. Promovem a chantagem econômica, a evidente tentativa da dispersão política, exigindo como solução o firme combate por um projeto nacional soberano estratégico, a intensa luta pela unidade e a emanciapção social do povo brasileiro.
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Os sentidos do Multiculturalismo

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Durante o auge da doutrina neoliberal na década de noventa, Francis Fukuyama, teórico oficial da Nova Ordem mundial recém imposta aos povos, profetizava, com a soberba típica dos poderosos, que a História tinha acabado.

A tradução literal de tamanho disparate era a falsa conclusão de que haviam desaparecido as contradições antagônicas entre as classes sociais e de quebra extinguia-se também a existência de uma potência militar imperialista e o seu papel agressor contra os Países no planeta.

Mais que uma constatação propositalmente errônea, era a conclamação aos trabalhadores e demais camadas assalariadas e às nações que lutavam por um lugar ao sol, à mais óbvia capitulação da luta social emancipadora e da soberania nacional.

A vida demonstrou exatamente o contrário, jamais a humanidade presenciou em qualquer outra etapa da História do capitalismo uma exploração de classes com a brutalidade que assistimos nos tempos atuais e em nenhuma outra época o imperialismo, no caso o norte-americano, promoveu, com tanta impunidade, genocídios, guerras de agressão, espalhando o terror, a morte pelos continentes.

O capital financeiro desencadeou a mais violenta espoliação do mundo do trabalho gestando um modelo de civilização selvagem, da barbárie, destruindo sem o menor pudor os mais elevados valores construídos pela humanidade.

Acobertados por uma mídia hegemonizada em escala global e em cada País, o capital financeiro, os Estados Unidos da América, trataram de impor aos assalariados, às nações, a sua própria agenda, o multiculturalismo.

Cujo sentido é fomentar a ideia de que já não se trata de priorizar a luta pela soberania nacional e a emancipação social, substituindo-as por causas fragmentárias, setoriais, algumas auto-justificáveis, com o intuito de sustar a construção de projetos estratégicos de autonomia dos Países, promover o diversionismo, fragilizar a luta pela emancipação do mundo do trabalho.

A demonização de Hugo Chávez, da luta do povo venezuelano, tem essa marca de um “mau exemplo” aos povos latino-americanos porque ali se forjou uma unidade popular e um forte sentimento de luta pela soberania dessa nação sul-americana.
 
Sem os quais, inclusive no Brasil, os avanços serão passíveis de retrocesso, a consciência política esmaecida, a mobilização popular precária, a hegemonia conquistada incompleta, efêmera, temporária.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tempos selvagens

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Nos tempos atuais a informação atingiu uma escala de poder, hegemonia sem precedentes desde o século vinte, uma opinião de classe imposta por centros difusores internacionais baseados nos Estados Unidos da América e na Grã-Bretanha que se encarregam de espalhar ao mundo, ao Brasil, a “notícia do momento”, a opinião política, a ideologia cultural do mercado globalizado.

Fenômeno que só pôde acontecer em virtude do intenso processo de expansão, concentração do capital financeiro a partir da Nova Ordem Mundial, da relativização da soberania dos Estados nacionais, das organizações internacionais outrora sustentadas por pactos fundados em equilíbrio de forças que já não mais existem.

Essas instituições que adquiriram credibilidade após a Segunda Guerra Mundial foram capturadas pelas novas condições geopolíticas surgidas no fim dos anos noventa e se transformaram em uma espécie de correias de transmissão dos interesses de uma única potência mundial do grande capital financeiro, referendando lucros estratosféricos e aventuras bélicas.

O que possibilitou a esse capital um espetacular domínio do planeta uniformizando hábitos e modos antes diferenciados pela diversidade das formações históricas, antropológicas, nacionais, regionais, um poder sem precedentes na História, determinando códigos, regras, leis, constituindo na prática uma espécie de governança global oficiosa.

Garantindo os interesses do mercado que instituiu padrão único de consumo, as variações são ditadas por alguns cartéis internacionais que impõem e combinam os preços das mercadorias, a cidadania das pessoas relativizada ou mesmo subtraída.

Com o fortalecimento dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China que em poucas décadas transformou-se na segunda economia mundial, nascem as condições de um cenário internacional diferenciado ao tempo que eclode uma nova crise estrutural do capitalismo, dos seus mecanismos desvairados, delirantes de especulação.
 
A Nova Ordem envelheceu, entrou em decadência, com inquestionáveis traços de selvageria, totalitarismo, agressão às nações, aos povos etc. O grande desafio das forças patrióticas, progressistas, inclusive no Brasil, é de encontrar caminhos para a transição a um outro modelo de sociedade que reafirme a soberania das nações, um regime social avançado empenhado no efetivo desenvolvimento das potencialidades humanas coletivas e individuais.
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Crise de uma civilização

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


São poucas as pessoas que se aventuram a declarar que estamos vivendo um período de avanço civilizacional sem confundir com a atual revolução científico tecnológica, mesmo que em vários Países existam políticas de resistência às consequências dos efeitos catastróficos do que se denomina Nova Ordem Mundial.

Trata-se de uma época iniciada nos anos noventa, portanto muito recente, quando a economia de mercado assumiu dimensões totalizantes livre das amarras impeditivas aos objetivos da expansão, centralização e concentração do grande capital em escala jamais vista em toda História.

Esse imenso salto da globalização do mercado, das finanças, reside principalmente em dois fatores: a natureza expansionista intrínseca ao próprio capitalismo, de acumulação sem limites ou fronteiras, e as condições políticas favoráveis às suas demandas e ambições.

A debacle do campo socialista na Europa destravou as amarras geopolíticas que obstaculizavam essa radical alteração, modificando a economia, fazendo retroceder em todos os aspectos a vida política, social, ideológica, cultural, comportamental, ambiental a nível mundial.

No início essa hegemonia foi tão intensa que qualquer contestação à nova doutrina econômica neoliberal passou a ser condenada como uma postura acadêmica, política jurássica, alusão ao período em que os dinossauros existiam na face da Terra.

Estaríamos assim no auge da harmonia final, as fronteiras nacionais inúteis, teríamos chegado ao término da História dizia o teórico neoliberal da moda o nipo-americano Francis Fukuyama.

Se olharmos hoje para o mundo o que vemos? Duas décadas de guerras sangrentas movidas pelas ambições de uma única potência militar, milhões de mortos e refugiados pelos continentes, a divinização da riqueza em substituição aos grandes valores universais, gerando em pouco tempo uma civilização de profundo mal estar.

A violência crônica, pandemias como a do crack alimentando os cofres do capital financeiro - escândalo divulgado pela mídia internacional, individualismo, o não diálogo, um salve-se quem puder, fobias, intolerâncias, milhões de desempregados na Europa e EUA, não foram gestados pelos cidadãos comuns mas por essa civilização em grave impasse.
 
Cabe às nações, aos povos encontrar a unidade, as alternativas reais a essa Idade Média pós-moderna imposta às maiorias em proveito de um restrito círculo de privilegiados.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Veias abertas da América Latina

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Nestes tempos de brutal hegemonia da nova ordem mundial do capital financeiro onde a grande mídia hegemônica global e as nacionais a ela subalternas, determinam o que é falso ou verdadeiro, certo ou errado, politicamente correto ou incorreto, a trajetória de luta de Hugo Chávez por uma Venezuela independente, socialmente mais justa é um marco de destemor patriótico de engajamento pela emancipação dos mais pobres, dos deserdados do seu País.

Combatido pelas forças reacionárias, agredido intensamente pelas grandes potências, em especial os Estados Unidos da América, que contra ele e o povo venezuelano promoveram várias tentativas de golpe de Estado, inclusive armado, Hugo Chávez foi firme na sua missão de transformar a realidade de um País secularmente rico, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mas dominado por oligarquias predadoras, cercado de miséria por todos os lados.

O ódio ao sonho de Simon Bolívar de uma América soberana e de avanços sociais, abraçado por Chávez, atraiu a ira, a sistemática conspiração imperialista que mobilizou além das próprias armas políticas, financeiras, ideológicas, de inteligência como a CIA, ainda perfilou em torno dessa causa torpe suas reservas, a fina flor da reação fóbica em vários Países, especialmente da América do Sul que pretextando análises críticas ou acadêmicas, miram baterias de fogo midiáticas contra a Venezuela.

No Brasil o método de tratamento de punhos de renda combinado com o porrete fez e continua fazendo escola na América Latina por parte dos segmentos obscurantistas que apoiam de todas as maneiras efetivas, sem falar nas inconfessáveis, iniciativas que atentam contra a soberania das outras nações e dos seus respectivos povos.

A minha geração conviveu com esse tipo de coisas, de grupos que se refastelaram com o arbítrio, aqui no Brasil e no Cone Sul, sem nenhuma transparência jurídica dos seus lucros obscuros e hoje incorporam-se, como os EUA, em campanhas até sobre Direitos Humanos contra os quais, no mínimo, foram cúmplices.

Chávez honrou a sua jornada na terra como lutador pela independência da sua pátria, abraçando a causa do desenvolvimento social. Cabe aos cidadãos venezuelanos, únicos detentores da própria soberania, continuar a luta titânica pelo desenvolvimento, o progresso humano entre as veias abertas, sangradas, da América Latina, como já disse Eduardo Galeano.

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pesos e medidas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:




Enquanto a jovem blogueira cubana em suas livres andanças pelo Brasil é acompanhada com um estardalhaço que só se justifica pela alergia insuportável que a grande mídia hegemônica externa-interna nutre pela nação cubana, a sua determinação de honrar o seu direito inalienável à soberania e integridade territorial, outro episódio, esse sim de extrema gravidade, é tratado com absoluto fastio pelos maiores órgãos de imprensa do mundo e no País.

Trata-se do caso do cidadão australiano Julian Assange exilado na embaixada do Equador em Londres, impedido de deixar o edifício da representação diplomática, cercada por acintoso aparato de segurança policial e da inteligência inglesa, impossibilitado de deixar a Inglaterra rumo à nação que lhe concedeu asilo.

Julian Assange é um ativista político dos recursos digitais que revolucionaram a comunicação democratizando a produção da informação, difusão das notícias, as relações entre as pessoas, indivíduos, comunidades em escala local, regional ou planetária.

Porém esse cidadão cometeu a ousadia máxima de denunciar ao mundo, através da Internet, documentos valiosos sobre as atividades clandestinas e subversivas das grandes potências, particularmente dos Estados Unidos e OTAN, as fraudes cometidas contra os cidadãos por parte das grandes corporações financeiras obtidas ilicitamente em uma época de crise econômica, falência de Estados nacionais, desemprego massivo dos assalariados no primeiro mundo.

Mesmo encurralado na embaixada do Equador Assange lançou um livro publicado no Brasil em janeiro deste ano reafirmando suas denúncias e ampliando suas observações sobre o que considera a grande ameaça da atualidade, o controle das pessoas, Países através da Internet pelas potências imperiais no maior sistema de vigilância, espionagem da História da humanidade.

Denuncia os perigos que pairam sobre a soberania dos Estados emergentes, que sob a justificativa de combater o crime organizado os EUA e aliados estariam construindo novo controle político, militar, sabotando as estruturas digitais, industriais e de governos nacionais no que os dirigentes norte-americanos classificam como a batalha do futuro, a ciber-guerra.
 
São pesos e medidas distintos usados pela grande mídia e os EUA sobre direitos humanos, liberdade e soberania das nações. Cabe aos povos encontrar formas de resistência contra graves ameaças com que se defrontam.