quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Agosto

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:



O trágico falecimento do ex-governador de Pernambuco, candidato à presidência da República, Eduardo Campos, do PSB, insere-se na superstição consagrada no imaginário do povo brasileiro sobre o caráter nefasto do mês de Agosto na política nacional.

Em meio a suicídios, renúncias, tentativas de golpes de Estado, mortes, Agosto é um mês que desde há muito tempo na cultura do País a todos sobressalta, inclusive aqueles que não acreditam em destino ou determinismo histórico, venha de onde vier.

Mas a verdade é que o acidente aéreo fatal que vitimou Eduardo Campos, quatro de seus assessores e dois tripulantes, em Santos, impactou a sociedade brasileira como há muito tempo não se via, porque tratava-se de um político de carreira promissora, jovem, com 49 anos, governador exitoso em seu Estado, deixou o mandato com elevados índices de aprovação popular.

Tive a oportunidade de conhecer Eduardo Campos em algumas ocasiões, inclusive em Alagoas em um verão de alguns anos atrás no litoral norte do nosso Estado em conversa informal, agradável, com o atual Ministro dos Esportes Aldo Rebelo e o prefeito de Olinda Renildo Calheiros, na época deputado federal pernambucano.

De Eduardo ficou-me a impressão de um político hábil, conhecedor dos problemas da realidade contemporânea, envolvente, articulador eficiente, apesar de muito jovem, com imensa vontade de jogar o seu papel no cenário institucional nacional.

Chamou-me atenção a prudente, arisca desconfiança com quem ainda não conhecia bem no convívio da labuta política, coisa que, acredito, herdou do avô Miguel Arraes, eminente figura da luta nacional, popular, sertanejo calejado no exercício do poder, curtido em longos anos de exílio e sofridos Agostos.

Como a política é o fermento das sociedades, para o bem ou para o mal, será óbvia a discussão sobre a sucessão da sua candidatura no PSB, a herança eleitoral, as consequências do seu precoce desaparecimento.

Em um quadro político em que forças retrógadas, poderosas conspiram diariamente contra os interesses da nação, a democracia, o seu legado será motivo de acirrada disputa, tentativas de manipulação.

Sinto, comovido, a morte trágica do jovem Eduardo Campos, lembrando a frase do nosso grande Oscar Niemeyer para o qual a vida é um sopro. Façamos bom uso dela para o bem do Brasil.

sábado, 9 de agosto de 2014

Circo de Horrores

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Se o historiador egípcio, mas efetivamente de trajetória acadêmica britânica, Eric Hobsbawm, cunhou o século XX como a era dos extremos, algum outro estudioso da História deverá denominar essas primeiras décadas do 3º milênio como o mais cabal exemplo, em larga escala, da insanidade contra a humanidade.

A primazia global, quase absoluta, das forças insaciáveis do Mercado, subordinando as sociedades, nações, indivíduos, organismos internacionais aos objetivos sem ética, escrúpulos, compaixão, pudores ou limites, ao capital financeiro global lembra, metaforicamente, os tempos degenerados de Calígula ou Nero, da escrachada decadência do império romano.

Se algum magnata rentista ainda não providenciou a nomeação vitalícia do seu cavalo ao Senado, como fez Calígula, o mesmo não se pode afirmar que o outro, Nero, continue inédito quando pela mais óbvia demência, impunidade, resolveu incendiar Roma como fonte de inspiração poética.

Sob o acumpliciamento da grande mídia global e congêneres regionais, Israel promove escandaloso genocídio contra o povo palestino que luta pelo direito de constituir-se em nação há décadas, sempre brutalmente massacrado ao exemplo dos diais atuais.

Por trás das tímidas censuras dos órgãos mundiais que deveriam sustar o terror perpetrado na faixa de Gaza revelam-se interesses geopolíticos imperialistas dos Estados Unidos, promotores de falsa agenda social global onde se inclui, cinicamente, a defesa dos Direitos Humanos.

A profusão de conflitos regionais pelas áreas de petróleo, expansão geopolítica, tem provocado ondas de guerras, como um circo de horrores itinerante, dezenas de milhões de mortos que não param de crescer, centenas de milhões de refugiados vagando pelos mares onde sobreviventes dão nas costas das nações do 1º mundo como nas praias italianas.

Outros crimes não menos terríveis são perpetrados contra a soberania dos Países no afã do capital financeiro assaltar os Bancos Centrais, desestabilizar regimes democráticos, como no Brasil, as campanhas de agressões sistemáticas contra os BRICS.

Já se disse que "vivemos tempos assustadores". Mas ou nós os enfrentamos ou vão ficar ainda mais tenebrosos. Assim, impõe-se a luta pela dignidade humana, a paz, a autodeterminação das nações, a democracia ameaçada, o progresso social.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A economia do terror

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A humanidade viu completar dias atrás os 100 anos da eclosão da primeira grande guerra mundial, formidável carnificina humana apenas superada pela subsequente 2ª guerra mundial, 1939-1945.
Com o fim da bipolarização geopolítica global, depois da debacle da extinta União Soviética, em muito pouco tempo assistiu-se o surgimento de dois vertiginosos fenômenos, a hegemonia da chamada Nova Ordem Mundial do grande capital financeiro e a entronização da geopolítica unipolar sob o domínio imperial dos Estados Unidos.

A esses dois novos processos históricos acompanhou uma espetacular enxurrada de formulações teóricas, políticas, ideológicas, econômicas, filosóficas com o objetivo de não só justificá-los mas aniquilar qualquer resistência contra esses novos tempos.

Tanta foi a euforia das forças do Mercado e imperialistas que chegou-se a proclamar como irrefutável o fim da História, promoveram-se obscuros intelectuais a exemplo do nipo-americano Francis Fukuyama, gurus da pós-modernidade anunciada.

Que profetizavam a fantasiosa paz infinita, o fim das guerras, conflitos regionais, o desaparecimento das fronteiras e respectivos Estados nacionais, e o cidadão passaria a ser de um mundo único, portanto o indivíduo global, eclético, desprovido de identidade ou raízes.

Numa relação direta entre uma suposta cidadania e o Mercado. Mas nesse sistema, o único internacionalismo permitido, assimilado, efetivo é o do capital rentista, das corporações globais.

Assim o que se viu foi a prevalência das armas imperiais contra o planeta, a tentativa de destruição dos Estados nacionais na gula insaciável de mais espaços ao capital financeiro através do autoproclamado neoliberalismo, a perda de conquistas sociais históricas dos trabalhadores, setores médios etc.

As correntes migratórias de milhões de trabalhadores aos Países do 1° mundo estão confinadas nos discriminados subúrbios, em novos apartheids, como mão de obra barata, desenraizada, destratada, mas irredenta.

Com a consolidação dos BRICS, a crise estrutural do capital, a escalada das agressões imperialistas, surge escancarada a face dessa economia do terror, indicando que será renhida a luta por outra ordem global multilateral, democrática, de progresso, justiça social, soberania dos povos, autodeterminação das nações.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Protagonismo crescente

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Os recentes fatos geopolíticos demonstram que encontra-se em processo de transição mais acelerada a mudança para uma outra ordem internacional multilateral, indicando, por sua vez, a tendência mais acentuada à decadência da chamada Nova Ordem mundial que já apresenta sinais de falência.
Os novos atores no palco das relações globais, os BRICS, mais da metade da população do planeta, que antes representavam uma promessa significativa ultrapassaram o sinal que demarcava a expectativa do futuro promissor, para o outro lado da História, o da realidade tangível.

Ou seja, o processo histórico mundial já se encontra naquele momento da viragem sem volta, com todas as possibilidades e as consequências que esses tempos sempre registram na vida dos povos.

No campo das possibilidades surgem grandes perspectivas, indicadores econômicos, sociais, políticos que se apresentam a toda humanidade, esperançada por esse núcleo de Países, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, de características gerais, idiossincrasias, vicissitudes, realidades distintas.

Mas crescem os desafios às nações, especialmente os BRICS, em uma etapa complexa onde o velho já caducou, mas ainda sobrevive e o novo já se fez inevitável, mas ainda não se consolidou inteiramente.

São momentos singulares, de choque entre essas duas tendências assumindo características variadas conforme o contexto social, político, regional de cada País.

Os estrategistas da Nova Ordem, municiados de análises, números, há algum tempo dominavam essa mudança acentuada dos ventos, adversos aos seus privilégios hegemônicos financeiros, imperiais e já fazem de tudo para sustar o inexorável.

O Brasil é sujeito de primeira grandeza nessa nova configuração geopolítica multilateral com território continental, imensos recursos renováveis, sem conflitos com vizinhos, movimentos separatistas ou de etnias, vocação democrática, de língua una, identidade nacional preservada, pacifista.

Mas por essas mesmas razões especiais o País vem sendo alvo de crescentes ataques midiáticos, financeiros, ideológicos, geopolíticos.

Cabe às forças progressistas, patrióticas, incorporar o protagonismo solidário do Brasil, combinar a luta política estratégica, com essa tendência avançada, de vanguarda mesmo, que os fenômenos históricos indicam.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tempo de lutas e avanços

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A Pietá, obra prima imortal de Michelangelo, esculpida em mármore, exposta no Vaticano.
 
Nesses tempos da Nova Ordem Mundial, dos fundamentos do Mercado, uma espécie de reinvenção no século XXI do bíblico Bezerro de Ouro, a serviço de gigantesco, fraudulento processo global de acumulação financeira, os povos buscam os caminhos da resistência e libertação.
Nos últimos 25 anos, no reinado do neoliberalismo, de uma realidade geopolítica unipolar, a luta em defesa das grandes causas sociais, da autodeterminação das nações, do progresso social exigiu tenaz esforço político, cultural, ideológico, contra um adversário poderoso que ocupou quase todos os espaços no planeta.

As sequelas da anticivilização imposta à humanidade estão aí para todos verem: a tentativa de desagregação dos grandes valores conquistados pela humanidade, a despeito das guerras e barbáries cometidas em nome dela, como legado avançando da capacidade criadora do ser humano.

A violência endêmica, a expansão do bilionário negócio do narcodólar que sustenta por vias subterrâneas a crise sistêmica do capital, a roda das altas finanças globais, são expressões trágicas à máxima da primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher, a Dama de Ferro: Sociedade? Isso não existe, o que existe são os indivíduos e o Mercado.

O isolamento do indivíduo, a quebra da amizade espontânea, a desagregação, o colapso das relações sociais, foram impostos como inevitáveis ao “processo natural” do avanço econômico, tecnológico, profetizado por Thatcher. Daí as famosas políticas compensatórias, ações paliativas para males estruturais profundos.

Os ataques especulativos passaram a ser a forma de travar a guerra militar por outros meios, visando pôr de joelhos nações como a Argentina, assaltada tanto pela ganância parasitária quanto pela sua altivez patriótica.

Mas o surgimento dos BRICS mostra a transição a outra alternativa de civilização e uma geopolítica multilateral, o protagonismo das nações, novas relações civilizacionais.

Por isso o Brasil tem sido alvo de sabotagens midiáticas e de outros tipos como na Copa Mundial de futebol, onde felizmente a lucidez da sociedade brasileira foi vitoriosa.

Enfim como já se disse: apesar dos pesares e horrores indescritíveis, a imaginação do homem está fadada, como destino do qual jamais pode escapar, ou renunciar, a tentar fazer da sociedade uma obra de arte.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Resistência e delírio

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Em 2004, o principal estrategista do presidente Bush, Karl Rove, afirmou em entrevista ao jornalista Ron Suskind do New York Times uma máxima sobre a política externa norte-americana e símbolo de arrogância, delírio.
Dizia ele: “agora nós somos um império e quando agimos nós criamos a nossa própria realidade. E, enquanto você estiver estudando essa realidade, nós agiremos novamente, criando outras realidades novas, que você também pode estudar, e é assim que as coisas serão. Nós somos os atores da História e todos vocês serão deixados apenas para estudar o que fazemos”.

Karl Rove continua influente líder da oligarquia conservadora dos Estados Unidos e, longe de afastado, vem dando as cartas no governo do presidente Obama em assuntos relativos a questões internacionais sob domínio do complexo industrial-militar norte-americano.

Suas declarações bem que poderiam constar em qualquer compêndio psiquiátrico relativo à megalomania e paranoia.

As intervenções dos Estados Unidos vão criando formidável rastro de sangue no Iraque, Síria, Líbia, Palestina, na África, esquartejada por “guerras humanitárias”, conflitos tribais, herança da velha política colonial etc. etc.

O poderio financeiro-militar dos EUA e aliados, como o inglês, estende-se por outras vias como nas áreas da comunicação e difusão ideológica-cultural fomentando ações patrocinadas pelo establishment imperial.

Como as “insurgências pacíficas” do novo guru da CIA, Gene Sharp, contra nações que zelam pela autodeterminação e diplomacia independente.

No Brasil, o exemplo mais efetivo veio dos atos de vandalismo de grupos, no mínimo exóticos, que tinham como objetivo, com o apoio da grande mídia, desestabilizar a Copa Mundial de futebol, o protagonismo do País a nível global.

Foram derrotados pela lucidez da sociedade brasileira, a audiência de mais de um bilhão de pessoas, alguns milhões de turistas que aqui vieram apesar do “caos do inferno” alardeado aos quatro ventos pelo complexo de comunicação mundial hegemônico.

Já se disse que os povos só aprendem através da própria experiência vivida e no Brasil ela tem sido muito rica para que as esmagadoras maiorias da sociedade separem o joio do trigo na luta intensa em defesa da soberania nacional, democracia, da emancipação social, todas indeclináveis.

sábado, 5 de julho de 2014

Ventando Labaredas

 

Parodiando Nelson Rodrigues, Neymar, nessa Copa do Mundo, foi caçado a pauladas pelos quatro cantos do campo desde a primeira partida.
O pai de Neymar disse: Treino é jogo e jogo é guerra. Qualquer tragédia servia contra ele nem que fosse fratura exposta da tíbia e do perônio.
Mas o objetivo é mesmo parar a seleção brasileira, derrotar o Brasil, antes, durante e depois da Copa. A seleção brasileira é o time a ser batido dentro e fora dos estádios. A grande mídia global vem se empenhando, rútila de ódio e inveja, nessa tarefa. Não conseguiram cumprir essa vergonhosa tarefa ao contrário, uniram o povo brasileiro.
Dizem que já somos quase 206 milhões. Pois bem, o que a grande mídia colonial, e a colonizada daqui, conseguiram mesmo foi unir 200 milhões, há uns cinco ou seis milhões que torcem contra a nossa autoestima e contra eles próprios, mas estamos em uma democracia não é mesmo?
David Luiz com o seu gesto de solidariedade, consolando o atacante colombiano, mostrou ao mundo a nossa vocação para a humildade e a fraternidade mesmo que do outo lado tivesse um carrasco de carteirinha e tudo mais.
Agora a seleção brasileira vai entrar em campo ventando labaredas em busca do que é seu, o hexa campeonato mundial.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O Brasil e a Nova Ordem

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Tanto é verdadeiro dizer que Marx afirmou que os filósofos limitavam-se a interpretar o mundo de diversas maneiras, quando o que importa é (compreendendo-o) transformá-lo, como é certo afirmar que a hegemonia do Mercado, especialmente no século 21, tem envidado esforço hercúleo para inverter esse conceito.
A concentração em escala planetária do capital financeiro acompanhada na maioria das nações de um extraordinário poder dos grandes grupos de comunicação, incluindo mídia digital, redes sociais, procurou nesse período anular as causas transformadoras, as utopias realizáveis da civilização humana.

O objetivo dessa Nova Ordem totalitária foi anular qualquer pensamento crítico que indicasse rumos a algum tipo de sociedade solidária, sustasse a esperança dos indivíduos tanto quanto das nações, num futuro de progresso social que assegurasse a autodeterminação, a identidade cultural dos povos.

Através do império da sociedade absolutamente consumista, pretendia-se que já não mais importasse o progresso social e dos Países, mas a defesa cega em alta escala individualista, canibalesca, pragmática, dos valores impostos através do Mercado.

Para se compreender certos fenômenos psicossociais dos tempos presentes é fundamental, creio, reportar o fato descrito pelo historiador Eric Hobsbawm, o de que as comunidades constituídas nessas épocas foram submetidas a um deserto das utopias, imposto pelas elites da Nova Ordem mundial.

Nesse cenário esquizofrênico erguido a ferro, fogo e bala, o que importa é a mercadoria, a sua deificação como elemento central a ser conquistado, em sociedades condenadas a uma espécie de presente contínuo, sem qualquer referência ao passado ou perspectiva de futuro.

A crise mundial do capital expôs contradições sistêmicas, o ressurgimento em gigantescas dimensões, sob formas mais graves, de males históricos a serem superados através da luta dos povos, das nações na busca da dignidade, autonomia, da liberdade individual, coletiva.

O Brasil como parte dos BRICS em luta pelos caminhos de superação desse trágico período vem enfrentando intensos ataques por parte das forças do Mercado, de potências hegemônicas, na vã tentativa de impedi-lo de conquistar uma sociedade mais justa, do protagonismo soberano, solidário na comunidade das nações.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Acrobata genético

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Os ataques do técnico holandês contra a Copa Mundial de futebol no Brasil invocando o clima inóspito do País são de uma brutal incoerência, revelam uma nostalgia incontida de outros períodos históricos.
Esse foi o mesmo argumento do tristemente famoso, e racista, diplomata francês conde Joseph Arthur de Gobineau segundo o qual seria impossível vicejar no Brasil qualquer tipo de civilização razoável por dois motivos: o clima inóspito dos trópicos e a mestiçagem do povo brasileiro.

A teoria de Gobineau teve muitos adeptos no mundo e no Brasil, parece que ainda possui alguns, mesmo com disfarces, até porque o conceito da superioridade racial dos povos da Europa Ocidental servia aos propósitos coloniais na época áurea dos grandes impérios.

Impérios como o inglês cujo lema era “onde o sol nunca se põe” que no afã “civilizatório” de impor domínios, saquear riquezas, aportavam em terras bárbaras exércitos, fidalgos, comerciantes, burocratas com o objetivo de garantir a supremacia real.

Assim é que chegou ao Nordeste do Brasil, de clima criticado pela grande mídia, no século XVII, outro conde o holandês Maurício de Nassau para liderar a Companhia das Índias Ocidentais.

Os holandeses ficaram por aqui enquanto puderam até serem escorraçados na batalha dos Guararapes, PE. Ali surgia o nosso sentimento nativo, dizem os historiadores.

Enfim, é como diz o poema: brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar, o mar é das gaivotas que nele sabem voar.

Os ingleses dominaram todos os continentes, asiático, americano, africano etc. Espanha e Portugal a África, América Latina. Adaptaram-se aos climas como os franceses, além da Itália bem antes de Garibaldi e Anita, brasileira, na luta pela unificação da nação mediterrânea.

A Copa do mundo é êxito de audiência mundial na TV, de público nos estádios, turistas estrangeiros, recorde de gols, hospitalidade brasileira inclusive a primeiros ministros, realezas, presidentes etc. Vista como a Copa das Copas seja quem for o campeão, esperamos que o Brasil.

Já a teoria de Gobineau é desmascarada há muito tempo. Se assim não fosse a única explicação para os jogadores brasileiros que se amoldam ao gélido inverno europeu ou asiático como Daniel Alves, do árido sertão de Juazeiro, Bahia, é que eles seriam incríveis acrobatas genéticos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Novo marco civilizatório

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A Copa Mundial de futebol além de uma iniciativa do governo Dilma é uma reafirmação de protagonismo da sociedade brasileira, do Estado nacional, daí a contrariedade da parte de certas potências hegemônicas.
A doutrina dos dez pontos da “insurgência pacífica” do cientista social Gene Sharp, tido como novo teórico da CIA, aplicada em vários lugares do mundo tem sido claramente utilizada no País.

Partindo de contradições efetivas nas sociedades, não há nações que não as tenham, essa nova forma de intervenção em assuntos internos dos Países busca situações limites, como um nervo exposto de um dente, procurando acuar os governos ou mesmo derrubá-los.

Apoiada pelos interesses geopolíticos norte-americanos, que subsidiam o complexo midiático mundial sob sua orientação, incluindo o cibernético, a “insurgência pacífica” alastra-se por onde interessa à política externa estadunidense ou nas regiões em que esteja sendo contestada.

Mas no cenário mundial são graves as dificuldades por que passa o establishment erguido com o objetivo de impor dois vetores fundamentais: o capital especulativo global e a hegemonia dos EUA.

A emergência dos BRICS é certamente um dos pontos nodais na inflexão da Nova Ordem que avança ao estágio da senilidade.

Porém existem outras nações com peso regional, aspirações econômicas, importância estratégica, conflitadas com essa geopolítica mundial unilateral.

A alta dos preços do petróleo, a novíssima Guerra do Iraque das forças extremistas armadas do Estado Islâmico e do Levante que deflagram violenta ofensiva contra o regime pró-americano faz com que os EUA busquem inusitado apoio do Irã nesse conflito na região. Um cenário inflamável.

A crise financeira que varre a Europa, os EUA, a sinuca de bico dos Estados Unidos na Ucrânia, as labaredas consumindo o Oriente Médio, a África sob agressões externas são faces dantescas dessa realidade.

Já o Brasil realiza com êxito, até aqui, evento esportivo global. Mais de 1 bilhão de telespectadores, 600 mil turistas, com a consigna da amizade entre os povos. Na América do Sul, a paz está à vista na Colômbia. Enfim, um continente com muitos problemas a superar mas sem guerras.

Continuemos assim, protagonistas da luta pelo progresso econômico, social, por um novo marco civilizatório para a humanidade.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Globalização e futebol

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

No último amistoso à Copa Mundial de futebol da seleção norte-americana em Boston, chamou a atenção dos jornalistas um slogan em inglês no estádio traduzido ao espanhol e português.
Dizia “Uma nação. Uma equipe”. Significa para os Estados Unidos, num evento transmitido para mais de um bilhão de pessoas, mesmo que eles não sejam uma referência internacional do futebol, a reafirmação do sentimento de coesão nacional.

Um conceito que devia servir a todos os povos tanto quanto a nossa hospitalidade que deve ser aplicada sem exceções durante o evento.

Quanto aos EUA o slogan é útil aos desígnios do seu constitucional “destino manifesto proclamado por Deus” em comandar a humanidade através da sua cultura, civilização, geopolítica.

O Brasil ao sediar a Copa Mundial de futebol sofre duplo ataque, seja porque é um País vocacionado à prática do futebol, fator integrante da nossa cultura, pentacampeão mundial, seja porque é uma das nações emergentes integrantes dos BRICS, a 7ª economia global.

Para o Mercado, a geopolítica anglo-americana, o mote é utilizado para querer transformar a Copa Mundial de futebol numa reedição social do furacão Katrina, o Brasil em terra arrasada, nem que para isso tenha que “morrer também o mar” como dizia Garcia Lorca.

Exacerbando nossas vicissitudes, fabricando através da grande mídia tempestades de surtos coletivos com o objetivo de anular nossas virtudes de povo criativo, realizador, o nosso sentimento de autoestima, a capacidade de fazer algo relevante à confraternização entre as nações do mundo.

Quando bombardeiam a Copa do Mundo o que desejam mesmo é sufocar o espírito em comum do povo brasileiro. E de um Estado soberano.

Contando para isso com a falácia difundida pelo Mercado, aceita por alguns setores contemplados com a “sociologia do desgosto com o Brasil”, de uma falsa cidadania global, de um cosmopolitismo artificial porque não é real, num fictício mundo sem fronteiras.

Quando na realidade vários povos já dizem um contundente não à hegemonia unipolar da Nova Ordem mundial.

Porque o que está em curso, em várias partes do planeta, é a luta intensa pela ressoberanização dos Países, em defesa de outra ordem global multipolar que assegure a autodeterminação das nações, a democracia, a paz e o progresso social da humanidade.